Atenção

EM: 5 de agosto de 2017

Atencao 2 4

Atencao

Seu filho tem dificuldades de prestar atenção no que você diz? A professora reclama da falta de atenção dele? Alguém está dizendo que pode ser que ele tenha um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade? Cuidado! Pode ser apenas falta de aprender a desenvolver a capacidade de observar detalhes.

Isso acontece porque não temos o costume de incentivar a criançada a perceber pequenas coisas como um instrumento diferente que toca no rádio do carro, uma placa errada na sinalização da estrada (lombada a 100m quando na verdade ela está a 50m), o poste que está inclinado, a rampa de acesso para cadeirantes instalada em uma calçada impossível de andar de cadeira de rodas, o presunto que está na sessão “Laticínios”, o miolo de uma flor de jardim com cores e formas tão especiais que parecem não ser naturais etc. E como estamos acostumados a tudo isso, não lembramos que as crianças ainda não observaram tais detalhes.

Você viu a palavra repetida ali em cima, no triângulo? Se não a viu é porque nosso cérebro pega atalhos, ou seja, ele “adivinha” o que está lendo e, portanto, não precisa gastar energia nos detalhes. É como se nossa mente fosse “preguiçosa”. Então a tendência que nossos filhos terão será a de olhar tudo como se fosse comum, normal, conhecido. E essa postura não os ajuda a desenvolver atenção e concentração. Para mudar esse quadro é importante que a gente gaste um pouco mais de tempo com nossos filhos fazendo-os perceber melhor tudo o que está acontecendo à volta. Comece pedindo que leiam a frase do triângulo. Brincar é uma boa forma de crescer!

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Minha vovó é massa!

EM: 9 de julho de 2017

avos e criancas

A menina de 5 anos chacoalhando na balança gritava: “Vem me balançar vó!”. E ela ia. Devagar, com cuidado com a areia solta e sem reclamar. “Calma Juliana, já tô chegando!”.

Cada vez mais avós estão criando seus netos. Os pais, ausentes o dia todo em seus empregos, só chegam à noite quando a menina já está limpa, cheirosa, alimentada e cansada. A interação de maior intensidade e qualidade se dá com a vovó. E, para a Juliana, uma menina de 5 anos, é seu maior presente.

Tenho algumas orientações que podem ajudar:

1 – Se a vovó passa horas com seus netos todos os dias, então deve colocar regras e fazer com que as crianças as sigam. Aquela história de “vovó só estraga” não se aplica nesses casos. Quando a netinha ou netinho só a encontram no fim de semana, então ela não tem nenhuma responsabilidade nem a incumbência de estabelecer os limites ou de fazer as crianças aprenderem as regras básicas de educação, pois esse é papel dos pais. E nesse caso a vovó pode sim “estragar”, desde que o paparico não seja exagerado, claro.

2 – Se vocês pais precisam da ajuda dos avós durante a semana, então não explorem essa mão de obra barata no sábado ou domingo. Os avós precisam de descanso e já fazem um grande favor de cuidar dos pimpolhos nos outros dias.

3 – Respeitem os avós. Sim, essa deve ser uma ordem clara e explícita para a criançada. Nada de desobedecer, gritar ou dar trabalho extra. Os avós são muito preciosos para os netinhos e a interação com eles é muito saudável para as crianças quando os limites são previamente traçados pelos pais.

4 – Muitos pais reclamam que os avós não levam a sério princípios de alimentação saudável ou tempo de uso de videogame ou outros aparelhos tecnológicos. A criançada “aproveita” da falta de autoridade dos avós. Nesse caso é fundamental conversar com os avós estabelecendo regras que devem ser levadas a sério. Tanto as crianças devem saber quais são os limites quanto os avós precisam saber o que podem e o que devem fazer no caso de desobediência. Obviamente isso deve acontecer nos casos em que as crianças permanecem sob os cuidados dos avós mais de uma vez por semana.

Por fim, mostre na prática o respeito e carinho que você tem pelos seus pais. Para uma criança é fundamental que ela veja os avós serem bem tratados por você. No futuro, elas também irão lhe respeitar, pois aprenderam desde crianças.

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Conte histórias para seu filho, mas não o subestime!

EM: 2 de julho de 2017

conte historias para seus filhos 2

Numa das vezes que contei historinhas para meus filhos antes deles dormirem, meu filho mais velho, aos dois anos de idade pediu que eu contasse uma mais legal.

– Mais legal? Como assim filho? Essa não foi legal?

– Foi legal, mas eu quero maaaaaais legal.

– Tá bom, vou tentar. “Era uma vez uma abelhinha que gostava muito de buscar mel em flores muito bonitas e blá-blá-blá…”

Ele, impaciente, disse que era legal, mas não muito. Então joguei para ele a responsabilidade:

– Então conte você uma bem legal.

E o que aconteceu em seguida me surpreendeu. O vocabulário de uma criança de dois anos é limitadíssimo, mas a forma como ele contornou o problema foi hilária!

– Aí um menino caiu no rio e socoooorrro, socoooorrro. Veio um pópero (helicóptero) tuf-tuf-tuf-tuf. Pegue a corda, pegue a corda. Uóoooo, tchibum. Tuf-tuf-tuf uóuóuóoooo. Aí o menino foi po pital (foi para o hospital) e o pai dele foi buscar. Fim.

Sério, abelhinhas? Eu estava contando historinhas sobre abelhas, flores e ele contou uma com ação, suspense, emoção e final feliz. Salvamento, helicóptero, ambulância! Eu ri muito e falei: “Que história legal, meu filho! Você sabe contar histórias!”.

Daquele dia em diante aprendi a mesclar as histórias com a imaginação deles. Eu ia até um certo ponto e perguntava o que ia acontecer em seguida. As respostas sempre me surpreendiam, pois a imaginação sem clichês das crianças é muito rica.

Crianças que aprendem a contar histórias, aprendem a ordenar suas ideias e melhorar seus argumentos. Esta é uma característica muito necessária nos dias de hoje em que o trabalho em equipe necessita da exposição clara das ideias de todos. Quem não sabe se comunicar com clareza certamente estará perdendo pontos na vida profissional e pessoal.

Conte histórias e incentive seus filhos a contar as deles. No começo podem ser simples demais, não tem problema, mas logo você vai perceber que as suas estão precisando de ajuda! Os irmãos Grimm, Christian Andersen, Monteiro Lobato, C.S. Lewis e outros escritores brasileiros maravilhosos podem te ajudar. Boa leitura. Boa contação de histórias.

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Música de qualidade tem que ser ensinada!

EM: 25 de junho de 2017

Little girl listening to music with acoustic ear muffs in her bedroom

Conversei com um professor de música que me relatou uma cena muito hilária! Ao cantar acompanhado de seu violão, uma menina na sala de aula disse: “Uau, sua voz é parecida com a do Chico Buarque”. Gente, se uma menina de 9 anos reconhece Chico Buarque é porque em sua casa ouve-se muito mais que as mesmices de sempre que as rádios tocam. Se você curte, não tem problema, mas que tal apresentar a seus filhos outros tipos de música? Chico, Marisa Monte, Donavon, Simon e Garfunkel, Bach e a riqueza da diversidade.

A neurociência chama de “janelas de oportunidade” o período na vida de uma pessoa em que o desenvolvimento do cérebro é maior se apresentado a determinado estímulo. A janela da música é de 4 a 11 anos de idade. Claro que é possível aprender música depois dessa idade, mas não será com a mesma facilidade e o cérebro não se reestrutura de forma tão completa. No caso da música, a criança que aprender dentro do período de 4 a 11 terá muita facilidade no futuro em projetar figuras planas a partir do tridimensional, ideal para engenheiros e arquitetos.

O ideal é começar a aprender um instrumento, mas se não for possível, com certeza dá pra melhorar o repertório do que se ouve, não é?

Presenteie seu filho ouvindo em casa um Bach, depois a Marisa Monte, tudo da Palavra Cantada e, por fim, a que você realmente curte, pois é na multiplicidade de estilos que seu filho poderá ser beneficiado.

 

Esta foi a cena 8. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Crianças expostas a doenças porque o desrespeito anda solto

EM: 18 de junho de 2017

Criancas expostas a doencas porque o desrespeito anda solto 2

Ao passear por um de nossos parques aqui em Curitiba vi crianças correndo alegremente pela grama. Estavam jogando freesbee. Pensei: “Que legal ver isso acontecendo, pois poderiam estar no videogame embranquecendo suas faces e criando olheiras.” Mas o que parecia ser saudável, oferecia perigo. Nunca vi tanto cocô de cachorro por metro quadrado. Como as áreas verdes estão cada vez mais escassas e a irresponsabilidade de alguns donos de cachorro cada vez maior, quem sofre são os pedaços de grama. E claro, a saúde das crianças.

Um saquinho de plástico não ocupa espaço no bolso e quando necessário, basta colocar a mão por dentro do saquinho, juntar o cocô, inverter o saquinho e colocá-lo no lixo. É fácil e não há contato com os dejetos. Qualquer troglodita consegue aprender, mas se a falta de caráter, solidariedade e vergonha na cara prevalecer, quem sofre são as crianças.

São muitas doenças, mas uma delas é ainda mais terrível. Se o brinquedo cair nas fezes de um cachorro e a criança sem perceber colocar os dedos na boca, ela pode ser infectada por parasitas que transmitem a Toxocaríase. Essa doença pode causar cegueira! Portanto, além de educar seu filho para que fique longe de áreas onde cachorros fazem suas necessidades, denuncie os adultos que não recolhem os dejetos de seus cães. Não é ser “dedo-duro”, é fazer as leis serem respeitadas e proteger crianças.

 

Esta foi a cena 7. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças é evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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Crianças soltas pela calçada estão em perigo constante

EM: 11 de junho de 2017

crianca calcada

Ao dirigir para casa depois de uma reunião na editora, no bairro onde moro, avistei duas crianças muito pequenas andando distraídas pela calçada ao lado de duas mulheres que conversavam tão animadamente que nem sequer olhavam para o lado. As menininhas do lado externo da calçada e as adultas, protegidas ao lado do muro.

Diminuí drasticamente a velocidade e fui trafegando tão lentamente que se uma delas repentinamente atravessasse a rua eu poderia frear a tempo. Meu instinto estava correto. A menor deu um salto para fora da calçada evitando algum cocô de cachorro. Parei o carro e olhei para as senhoras com aquela espécie de olhar que fulmina e envia recados. Abri o vidro e só disse ironicamente: “Parabéns”. Só ouvi de longe um “estúpido”. As broncas que as duas mulheres deveriam ter recebido foram transferidas para as crianças que devem ter ouvido uma ladainha sobre os perigos de ir para a rua sem olhar. As últimas pesquisas do IBGE apontam que aproximadamente oito mil crianças (de 1 a 14 anos) foram atropeladas no Brasil somente no ano de 2010 (pesquisa mais recente). É muito.

Além desses dados alarmantes, sabemos que crianças até dez anos de idade em média não conseguem avaliar corretamente a velocidade de um carro que se aproxima e arriscam suas vidas ao atravessarem a rua. Os pais dessas crianças justificam dizendo que elas já são bem educadas e cuidadosas, mas esquecem que o cérebro delas ainda não está maduro o suficiente para avaliar tempo, velocidade e distância de uma só vez.

Crianças devem ser protegidas delas mesmas. Na calçada, sempre do lado interno e, se forem muito novas, somente de mãos dadas com um adulto. Cuidados que protegem. Não é superproteção, é proteção.

Esta foi a cena 6. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças é evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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Criança derruba suco na mesa e descobre ser um diabo dos infernos

EM: 4 de junho de 2017

Crianca derruba suco na mesa e descobre ser um diabo dos infernos

Praça de alimentação em shoppings centers são um prato cheio (trocadilho não planejado) para análise de estilos parentais de educação. A cena que presenciei aconteceu bem distante da minha mesa, mas não somente eu ouvi, como todos os clientes de todas as lanchonetes e restaurantes dali.

Um menino derrubou seu copo de refrigerante em cima da mesa, e deve ter molhado a mãe e os irmãos. Uma cena até comum entre crianças, pois elas ainda não desenvolveram coordenação motora fina o suficiente para não errar, nem atenção suficiente para não derrubar copos, talheres ou qualquer outra coisa de suas mãos. É apenas uma criança sendo criança. Não para a mãe. Ela, como no filme “Um dia de fúria” em que o protagonista resolve deixar de ser um cidadão pacato e destruir o mundo, destrói o menino:

“Meudeusdocéu, já não te falei para ter cuidado? Seu diabo dos infernos, olha o que você fez!” Sua voz era esganiçada, como das discussões entre pessoas que não sabem usar argumentos, apenas o volume da gritaria. Dava pra sentir o menino sendo quebrado internamente, para talvez, se tiver sorte, tentar arrumar o estrago numa longa terapia quando adulto. Além dos gritos, a mulher descontrolada empurrava o menino e sacudia suas roupas tentando em vão fazer o líquido, já impregnado, sair.

Lembrei-me das broncas que eu levava quando pequeno. Eram silenciosas, para que só eu aprendesse, e sempre reflexivas: “O que você deveria ter feito para que isso não acontecesse?”. Minha mãe não tinha escolaridade suficiente, nem ao menos leitura de bons livros sobre criação de filhos, mas tinha uma espécie de sabedoria suficiente para saber que uma criança é uma criança e ela era o adulto que precisava ensinar. Aprendi muito.

A autoestima de uma criança é afetada de forma cruel quando exposta da forma como o menino foi. Nenhuma calça, vestido ou sapato, por mais caros que sejam, valem a dor de uma humilhação pública. Quase fui até a mulher para indicar alguns livros básicos sobre educação de filhos, mas achei que naquele cérebro, naquele momento, nada entraria.

Esta foi a cena 5. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Posso segurar a cachorrinha?

EM: 29 de maio de 2017

posso segurar a cachorrinha 2

Era uma tarde ensolarada e eu passeava com nossa cachorrinha pelo condomínio. A cena clássica: um homenzarrão com um saquinho plástico no bolso sendo puxado pela guia por um animalzinho do tamanho de uma pantufa. Apesar da graça é fundamental ser responsável com os bichinhos que precisam de contato com a natureza (grama) e de ar livre. Todos os dias. Nesse dia um menino se aproximou correndo e me perguntou: “Posso segurar a cachorrinha? Qual o nome dela?”. Permissões e informações dadas, o menino de oito anos se abaixou, pegou a Sissi no colo e lhe fez carinhos. Não durou muito, pois cheirar e correr por tudo era mais interessante que um colo naquele momento.

O Mateus sentou-se ao meu lado e disse: “muito legal ela, quando eu crescer vou ter um desses”. E ficamos ali conversando sobre escola, amigos, videogame e cachorrinhos. Um menino cuja educação despertou em mim o meu melhor e nossa conversa foi muito amigável. Ao me despedir, pedi que dissesse aos pais que eu admirei muito sua inteligência e educação. O menino sorriu e foi embora pulando ora num pé ora no outro, como eu também fazia nessa idade.

O respeito, educação e gentileza demonstrados por ele deveriam ser comuns entre as crianças, mas sabemos que não é. Crianças mal educadas, desrespeitosas e agressivas não despertam o melhor das pessoas, mas broncas, mau humor e afastamento. E aprendizados  importantes construídos nas interações com os adultos não são realizados.

Ensine seu filho a ser solidário, gentil e atencioso, pois isso o ajudará a se relacionar melhor e a se beneficiar dos contatos com adultos. Claro, sem ser um “banana”, pois esse oposto é tão ruim quanto ser mal educado.

Esta foi a cena 4. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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A toalha da minha mesa não é cipó para seu filho

EM: 21 de maio de 2017

minha toalha nao e cipo para seu filho

Era uma lanchonete lotada. De vez em quando me permito uma exceção no cardápio saudável e lá estava eu com um hambúrguer enorme nas mãos e uma cara de quem estava adorando. Não durou muito minha felicidade. Um pirralho veio à minha mesa e se pendurou na toalha como se quisesse se balançar. Foi tudo para o chão. Refrigerante, as batatas fritas, o catchup, a mostarda, tudo. Menos o hambúrguer que estava em minhas mãos. O menino virou as costas e correu entre as mesas, fugindo da mãe. Quando finalmente o Tarzan parou, ela o levou para o parquinho na outra sala. Depois veio até mim e pediu desculpas dizendo que compraria outra batata e outro refrigerante. Deixei comprar.

Minha vontade de ser legal com as pessoas tem limite. Pensei em dizer: “É coisa de criança”, mas eu sabia que não era. “Não tem problema, não precisa comprar outra batata, eu já havia comido metade”, mas eu paguei por uma inteira. Aliviar o fato não iria contribuir para que os pais daquele menino percebessem que precisam ensinar o menino a esperar. “Sente aí e espere”. Parece torturante, mas qual a grande perda que uma criança teria se ficasse esperando seu lanche por dez ou quinze minutos?

Esperar é um presente. Aprender que as coisas não vem imediatamente faz parte da maturidade humana. E isso deve ser ensinado. Quando maior, esse menino saberá estudar, fazer a lição, resumir um livro, completar a lista de exercícios de matemática e deixar todas as outras coisas, que dão muito mais prazer, para depois. Ele saberá esperar para ligar o computador, entrar novamente nas redes sociais ou simplesmente olhar os recados do WhatsApp. Quem sabe esperar consegue estudar. E quem estuda de verdade se prepara adequadamente e é aprovado em vestibulares, em concursos ou nos outros testes que a sociedade cria. Quem não sabe esperar, fecha o livro e vai bater papo no celular. E provavelmente ninguém da família lembrará que o livro fechado teve origem na batata frita esparramada no chão.

Esta foi a cena 3. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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Transferência de autoridade

EM: 14 de maio de 2017

TRANSFERENCIA DE AUTORIDADE 2

Esperando minha vez para ser atendido numa clínica de otorrinolaringologia vi um menino de uns 6 anos andando por cima das cadeiras. A mãe, sentada na outra ponta da fileira dizia: “Desce daí menino, você vai cair”. E o menino fazia de conta que a ordem não era com ele. Até que uma senhora idosa, com muito menos paciência e mais sabedoria disse ao menino com voz alta o suficiente para que a mãe ouvisse: “Menino! Cadeira é pra sentar. Saia daí”. O mini atleta até vacilou, mas continuou desobedecendo. A mãe, agora incomodada pelos olhares da plateia gripada, tossindo e com o limiar muito baixo para suportar malcriações, resolveu ser mais enfática: “Filho, desce daí senão o guarda vai prender você”.

Quase não acreditei no que eu estava ouvindo. O guarda? É o guarda que deve educar a criança? É dele a responsabilidade? Dessa vez foi ele que fez de conta que não ouviu.

Jamais transfira sua autoridade. Nunca diga: “Pare com isso senão eu vou contar para seu pai”. Diga: “Pare com isso agora. Estou mandando”. E se não parar, tire a criança do que ela está fazendo imediatamente, para que o cérebro dela aprenda que quando você manda, você manda!

Isso se faz desde bebê. Ao dizer “não”, retire imediatamente o bebê do lugar ou o objeto da mão dele. Assim ele aprende que o “não” tem consequências imediatas. E dizer mil nãos ou falar mil vezes a mesma coisa é o mesmo que dizer que a autoridade está com outra pessoa, menos com você.

Você é autoridade. Exerça-a.

Esta foi a cena 2. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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