Música de qualidade tem que ser ensinada!

EM: 25 de junho de 2017

Little girl listening to music with acoustic ear muffs in her bedroom

Conversei com um professor de música que me relatou uma cena muito hilária! Ao cantar acompanhado de seu violão, uma menina na sala de aula disse: “Uau, sua voz é parecida com a do Chico Buarque”. Gente, se uma menina de 9 anos reconhece Chico Buarque é porque em sua casa ouve-se muito mais que as mesmices de sempre que as rádios tocam. Se você curte, não tem problema, mas que tal apresentar a seus filhos outros tipos de música? Chico, Marisa Monte, Donavon, Simon e Garfunkel, Bach e a riqueza da diversidade.

A neurociência chama de “janelas de oportunidade” o período na vida de uma pessoa em que o desenvolvimento do cérebro é maior se apresentado a determinado estímulo. A janela da música é de 4 a 11 anos de idade. Claro que é possível aprender música depois dessa idade, mas não será com a mesma facilidade e o cérebro não se reestrutura de forma tão completa. No caso da música, a criança que aprender dentro do período de 4 a 11 terá muita facilidade no futuro em projetar figuras planas a partir do tridimensional, ideal para engenheiros e arquitetos.

O ideal é começar a aprender um instrumento, mas se não for possível, com certeza dá pra melhorar o repertório do que se ouve, não é?

Presenteie seu filho ouvindo em casa um Bach, depois a Marisa Monte, tudo da Palavra Cantada e, por fim, a que você realmente curte, pois é na multiplicidade de estilos que seu filho poderá ser beneficiado.

 

Esta foi a cena 8. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Crianças expostas a doenças porque o desrespeito anda solto

EM: 18 de junho de 2017

Criancas expostas a doencas porque o desrespeito anda solto 2

Ao passear por um de nossos parques aqui em Curitiba vi crianças correndo alegremente pela grama. Estavam jogando freesbee. Pensei: “Que legal ver isso acontecendo, pois poderiam estar no videogame embranquecendo suas faces e criando olheiras.” Mas o que parecia ser saudável, oferecia perigo. Nunca vi tanto cocô de cachorro por metro quadrado. Como as áreas verdes estão cada vez mais escassas e a irresponsabilidade de alguns donos de cachorro cada vez maior, quem sofre são os pedaços de grama. E claro, a saúde das crianças.

Um saquinho de plástico não ocupa espaço no bolso e quando necessário, basta colocar a mão por dentro do saquinho, juntar o cocô, inverter o saquinho e colocá-lo no lixo. É fácil e não há contato com os dejetos. Qualquer troglodita consegue aprender, mas se a falta de caráter, solidariedade e vergonha na cara prevalecer, quem sofre são as crianças.

São muitas doenças, mas uma delas é ainda mais terrível. Se o brinquedo cair nas fezes de um cachorro e a criança sem perceber colocar os dedos na boca, ela pode ser infectada por parasitas que transmitem a Toxocaríase. Essa doença pode causar cegueira! Portanto, além de educar seu filho para que fique longe de áreas onde cachorros fazem suas necessidades, denuncie os adultos que não recolhem os dejetos de seus cães. Não é ser “dedo-duro”, é fazer as leis serem respeitadas e proteger crianças.

 

Esta foi a cena 7. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças é evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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Crianças soltas pela calçada estão em perigo constante

EM: 11 de junho de 2017

crianca calcada

Ao dirigir para casa depois de uma reunião na editora, no bairro onde moro, avistei duas crianças muito pequenas andando distraídas pela calçada ao lado de duas mulheres que conversavam tão animadamente que nem sequer olhavam para o lado. As menininhas do lado externo da calçada e as adultas, protegidas ao lado do muro.

Diminuí drasticamente a velocidade e fui trafegando tão lentamente que se uma delas repentinamente atravessasse a rua eu poderia frear a tempo. Meu instinto estava correto. A menor deu um salto para fora da calçada evitando algum cocô de cachorro. Parei o carro e olhei para as senhoras com aquela espécie de olhar que fulmina e envia recados. Abri o vidro e só disse ironicamente: “Parabéns”. Só ouvi de longe um “estúpido”. As broncas que as duas mulheres deveriam ter recebido foram transferidas para as crianças que devem ter ouvido uma ladainha sobre os perigos de ir para a rua sem olhar. As últimas pesquisas do IBGE apontam que aproximadamente oito mil crianças (de 1 a 14 anos) foram atropeladas no Brasil somente no ano de 2010 (pesquisa mais recente). É muito.

Além desses dados alarmantes, sabemos que crianças até dez anos de idade em média não conseguem avaliar corretamente a velocidade de um carro que se aproxima e arriscam suas vidas ao atravessarem a rua. Os pais dessas crianças justificam dizendo que elas já são bem educadas e cuidadosas, mas esquecem que o cérebro delas ainda não está maduro o suficiente para avaliar tempo, velocidade e distância de uma só vez.

Crianças devem ser protegidas delas mesmas. Na calçada, sempre do lado interno e, se forem muito novas, somente de mãos dadas com um adulto. Cuidados que protegem. Não é superproteção, é proteção.

Esta foi a cena 6. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças é evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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Criança derruba suco na mesa e descobre ser um diabo dos infernos

EM: 4 de junho de 2017

Crianca derruba suco na mesa e descobre ser um diabo dos infernos

Praça de alimentação em shoppings centers são um prato cheio (trocadilho não planejado) para análise de estilos parentais de educação. A cena que presenciei aconteceu bem distante da minha mesa, mas não somente eu ouvi, como todos os clientes de todas as lanchonetes e restaurantes dali.

Um menino derrubou seu copo de refrigerante em cima da mesa, e deve ter molhado a mãe e os irmãos. Uma cena até comum entre crianças, pois elas ainda não desenvolveram coordenação motora fina o suficiente para não errar, nem atenção suficiente para não derrubar copos, talheres ou qualquer outra coisa de suas mãos. É apenas uma criança sendo criança. Não para a mãe. Ela, como no filme “Um dia de fúria” em que o protagonista resolve deixar de ser um cidadão pacato e destruir o mundo, destrói o menino:

“Meudeusdocéu, já não te falei para ter cuidado? Seu diabo dos infernos, olha o que você fez!” Sua voz era esganiçada, como das discussões entre pessoas que não sabem usar argumentos, apenas o volume da gritaria. Dava pra sentir o menino sendo quebrado internamente, para talvez, se tiver sorte, tentar arrumar o estrago numa longa terapia quando adulto. Além dos gritos, a mulher descontrolada empurrava o menino e sacudia suas roupas tentando em vão fazer o líquido, já impregnado, sair.

Lembrei-me das broncas que eu levava quando pequeno. Eram silenciosas, para que só eu aprendesse, e sempre reflexivas: “O que você deveria ter feito para que isso não acontecesse?”. Minha mãe não tinha escolaridade suficiente, nem ao menos leitura de bons livros sobre criação de filhos, mas tinha uma espécie de sabedoria suficiente para saber que uma criança é uma criança e ela era o adulto que precisava ensinar. Aprendi muito.

A autoestima de uma criança é afetada de forma cruel quando exposta da forma como o menino foi. Nenhuma calça, vestido ou sapato, por mais caros que sejam, valem a dor de uma humilhação pública. Quase fui até a mulher para indicar alguns livros básicos sobre educação de filhos, mas achei que naquele cérebro, naquele momento, nada entraria.

Esta foi a cena 5. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Posso segurar a cachorrinha?

EM: 29 de maio de 2017

posso segurar a cachorrinha 2

Era uma tarde ensolarada e eu passeava com nossa cachorrinha pelo condomínio. A cena clássica: um homenzarrão com um saquinho plástico no bolso sendo puxado pela guia por um animalzinho do tamanho de uma pantufa. Apesar da graça é fundamental ser responsável com os bichinhos que precisam de contato com a natureza (grama) e de ar livre. Todos os dias. Nesse dia um menino se aproximou correndo e me perguntou: “Posso segurar a cachorrinha? Qual o nome dela?”. Permissões e informações dadas, o menino de oito anos se abaixou, pegou a Sissi no colo e lhe fez carinhos. Não durou muito, pois cheirar e correr por tudo era mais interessante que um colo naquele momento.

O Mateus sentou-se ao meu lado e disse: “muito legal ela, quando eu crescer vou ter um desses”. E ficamos ali conversando sobre escola, amigos, videogame e cachorrinhos. Um menino cuja educação despertou em mim o meu melhor e nossa conversa foi muito amigável. Ao me despedir, pedi que dissesse aos pais que eu admirei muito sua inteligência e educação. O menino sorriu e foi embora pulando ora num pé ora no outro, como eu também fazia nessa idade.

O respeito, educação e gentileza demonstrados por ele deveriam ser comuns entre as crianças, mas sabemos que não é. Crianças mal educadas, desrespeitosas e agressivas não despertam o melhor das pessoas, mas broncas, mau humor e afastamento. E aprendizados  importantes construídos nas interações com os adultos não são realizados.

Ensine seu filho a ser solidário, gentil e atencioso, pois isso o ajudará a se relacionar melhor e a se beneficiar dos contatos com adultos. Claro, sem ser um “banana”, pois esse oposto é tão ruim quanto ser mal educado.

Esta foi a cena 4. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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A toalha da minha mesa não é cipó para seu filho

EM: 21 de maio de 2017

minha toalha nao e cipo para seu filho

Era uma lanchonete lotada. De vez em quando me permito uma exceção no cardápio saudável e lá estava eu com um hambúrguer enorme nas mãos e uma cara de quem estava adorando. Não durou muito minha felicidade. Um pirralho veio à minha mesa e se pendurou na toalha como se quisesse se balançar. Foi tudo para o chão. Refrigerante, as batatas fritas, o catchup, a mostarda, tudo. Menos o hambúrguer que estava em minhas mãos. O menino virou as costas e correu entre as mesas, fugindo da mãe. Quando finalmente o Tarzan parou, ela o levou para o parquinho na outra sala. Depois veio até mim e pediu desculpas dizendo que compraria outra batata e outro refrigerante. Deixei comprar.

Minha vontade de ser legal com as pessoas tem limite. Pensei em dizer: “É coisa de criança”, mas eu sabia que não era. “Não tem problema, não precisa comprar outra batata, eu já havia comido metade”, mas eu paguei por uma inteira. Aliviar o fato não iria contribuir para que os pais daquele menino percebessem que precisam ensinar o menino a esperar. “Sente aí e espere”. Parece torturante, mas qual a grande perda que uma criança teria se ficasse esperando seu lanche por dez ou quinze minutos?

Esperar é um presente. Aprender que as coisas não vem imediatamente faz parte da maturidade humana. E isso deve ser ensinado. Quando maior, esse menino saberá estudar, fazer a lição, resumir um livro, completar a lista de exercícios de matemática e deixar todas as outras coisas, que dão muito mais prazer, para depois. Ele saberá esperar para ligar o computador, entrar novamente nas redes sociais ou simplesmente olhar os recados do WhatsApp. Quem sabe esperar consegue estudar. E quem estuda de verdade se prepara adequadamente e é aprovado em vestibulares, em concursos ou nos outros testes que a sociedade cria. Quem não sabe esperar, fecha o livro e vai bater papo no celular. E provavelmente ninguém da família lembrará que o livro fechado teve origem na batata frita esparramada no chão.

Esta foi a cena 3. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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Transferência de autoridade

EM: 14 de maio de 2017

TRANSFERENCIA DE AUTORIDADE 2

Esperando minha vez para ser atendido numa clínica de otorrinolaringologia vi um menino de uns 6 anos andando por cima das cadeiras. A mãe, sentada na outra ponta da fileira dizia: “Desce daí menino, você vai cair”. E o menino fazia de conta que a ordem não era com ele. Até que uma senhora idosa, com muito menos paciência e mais sabedoria disse ao menino com voz alta o suficiente para que a mãe ouvisse: “Menino! Cadeira é pra sentar. Saia daí”. O mini atleta até vacilou, mas continuou desobedecendo. A mãe, agora incomodada pelos olhares da plateia gripada, tossindo e com o limiar muito baixo para suportar malcriações, resolveu ser mais enfática: “Filho, desce daí senão o guarda vai prender você”.

Quase não acreditei no que eu estava ouvindo. O guarda? É o guarda que deve educar a criança? É dele a responsabilidade? Dessa vez foi ele que fez de conta que não ouviu.

Jamais transfira sua autoridade. Nunca diga: “Pare com isso senão eu vou contar para seu pai”. Diga: “Pare com isso agora. Estou mandando”. E se não parar, tire a criança do que ela está fazendo imediatamente, para que o cérebro dela aprenda que quando você manda, você manda!

Isso se faz desde bebê. Ao dizer “não”, retire imediatamente o bebê do lugar ou o objeto da mão dele. Assim ele aprende que o “não” tem consequências imediatas. E dizer mil nãos ou falar mil vezes a mesma coisa é o mesmo que dizer que a autoridade está com outra pessoa, menos com você.

Você é autoridade. Exerça-a.

Esta foi a cena 2. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Amar também é dizer “não”

EM: 7 de maio de 2017

amar tambem e dizer nao

Esta cena eu presenciei num restaurante por quilo. A mãe com a menina no colo ia perguntando tudo a ela: Quer tomate? Quer cenoura? E que tal um pouquinho de arroz? Pelo menos um pouquinho de feijão, né meu amor? E todas as respostas eram “não”. Já na fila da balança, dei uma olhadinha no prato da menina e vi o resultado: metade do prato com batatas fritas, um pedacinho de frango grelhado e macarrão com molho quatro queijos. E só.

A menina deveria ter dois anos de idade. E do alto dessa grande experiência de vida e conhecimento sobre o benefício da pirâmide alimentar, ela decide o que vai comer. E já tinha muitos quilos acima do peso ideal pela quantidade de dobrinhas no pescocinho. Não devemos ser ditadores e carrascos em relação à comida, mas uma criança não tem sabedoria o suficiente para decidir o que vai comer, quando ou como. Nós pais precisamos ensinar. E isso significa suportar pequenas birras, mau-humor, cara fechada e alguns esporádicos “odeio você”.

Uma criança precisa experimentar o mesmo tipo de alimento no mínimo umas dez vezes para que seu paladar comece a aceitar a novidade e passar a gostar de saladas, verduras, diferentes tipos de cereais etc. É preciso insistir. Se os pais aceitarem o “não quero” de seus filhos, estarão contribuindo para a instalação de um comportamento alimentar equivocado cujas consequências afetarão a saúde da criança.

Portanto, amar de verdade significa dizer ao seu filho “Não! Quem faz seu prato sou eu. Quando você já souber comer de tudo, deixo você escolher de vez em quando”. E ponto final. No começo podem acontecer birras, reclamações e as famosas “caras amarradas”, mas depois que a criança descobrir que não tem negociação, ela para de reagir. Vai preferir um ou outro alimento e rejeitar outros, mas o equilíbrio entre os tipos de alimentos você vai garantir e a saúde de seu filho será preservada.

Esta foi a cena 1. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Baleia Azul e as cores da vida

EM: 24 de abril de 2017

Baleia azul

Quantos jovens ainda vão morrer para que o tema do suicídio seja levado mais a sério? É sabido que há um aumento do número de suicídios quando a imprensa divulga um caso, pois de alguma forma o fato vira modelo e aumenta a coragem dos jovens que estão na fase do planejamento. Entretanto falar sobre o tema com seriedade e propor soluções contribui para que os pais ou os próprios jovens reflitam sobre a vida e não levem à frente suas intenções. É esse nosso desejo.

Recentemente a imprensa divulgou casos de tentativas de suicídio relacionados ao jogo Baleia Azul, presente na internet, que propõe 50 tarefas a serem cumpridas uma por dia e comprovadas a uma pessoa “julgadora” que avalia a veracidade. São tarefas como fazer cortes no braço ou na perna, pendurar-se em lugares perigosos, tomar medicamentos que os façam ficar doentes, passar um dia inteiro assistindo a filmes de terror ou violentos e assim por diante. Tudo deve ser comprovado por fotos ou vídeos enviados a esse juiz. A 50ª tarefa propõe o suicídio. Não importa se a coisa toda é assim mesmo ou se é brincadeira de mau gosto, o problema é que se houvesse apenas um caso de auto agressão, já seria condenável e não deveríamos minimizar os efeitos de tal “brincadeira”.

Em tudo isso há dois pontos a considerar. O primeiro deles é que não devemos permitir a banalização do sofrimento do adolescente como vem ocorrendo nas redes sociais. Correntes como “50 passos para arrumar seu quarto” ou qualquer outra brincadeira do mesmo nível despreza a dor real de muitos jovens. A adolescência é uma fase difícil em que os meninos e as meninas passam por transformações no corpo, na vida social, emocional, familiar e cognitiva. Não é nada fácil. A preocupação em estar adequado, em pertencer a um grupo ou ser aceito pelos pares é constante e nem sempre compreendida. Nós adultos já passamos por essas preocupações e hoje olhamos para trás e aceitamos o fato de que nos fizeram crescer ou ser o que somos, no entanto para quem está na fase a percepção é outra, é de dor. Assim, o melhor que podemos fazer é compreender e acolher, jamais repreender, desprezar ou tentar diminuir a dor por meio de brincadeiras ou gozações.

O segundo ponto, não menos importante, é o julgamento que a sociedade faz a respeito da educação que os pais dão a esses jovens. É fácil dizer “esse menino foi mal criado”, “essa menina não recebeu princípios”, “os pais desse jovem estavam onde?” e assim por diante. Os pais erram sim, mas a maior parte deles com o objetivo de acertar. Por amor permitem que usem a internet, que os filhos estejam presentes nas redes sociais ou passem horas no videogame. Como adequar os tempos? Cada realidade é uma, cada filho tem uma personalidade diferente e reage de forma única frente aos limites impostos. Claro que há princípios da educação que podem ajudar, mas eles não são os únicos que influenciam a vida do jovem. Portanto, jamais podemos culpar os pais. Vamos orientá-los, não julgá-los. Acolhê-los, não incriminá-los.

E, em vez de lutarmos contra todas essas forças destrutivas de jogos mal intencionados ou de “amigos” que incentivam a morte, que tal trabalharmos todos para a valorização da vida? Isso se faz com programas antibullying que ajudam a perceber a importância de participar de projetos de apoio a orfanatos, a asilos, a ações sociais significativas. Jovens que se envolvem com práticas sociais construtivas simples, como arrecadar agasalhos, fraldas ou leite em pó para os necessitados veem o mundo com outros olhos, pois percebem que seu próprio sofrimento diminui na presença da dor do outro.

Quando o mundo deixa de ser a exclusividade da rede social, do próprio quarto, dos aparelhos tecnológicos e passa a ser ampliado pela construção de um bem maior, a vida começa a valer a pena e a ter mil cores, não só a azul.

 

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Seu filho sofre para fazer a lição de casa?

EM: 2 de abril de 2017

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Recebi um pedido de ajuda pelo Facebook de uma mamãe desesperada com seu filho de 8 anos. Segundo ela, o menino não consegue fazer as lições de casa por serem muito difíceis. Além disso, não presta atenção nas explicações que ela dá, não se concentra direito e está muito distraído em sala de aula. Ela gostaria de saber qual é o problema do menino ou se ele tem algum tipo de transtorno. Quando perguntei em que ano ele está na escola, a mãe respondeu que está no 4º ano! Um menino de 8 anos deveria estar no máximo no 3º. Ou seja, ele deve ter entrado no primeiro ano com 5 aninhos.  Mesmo que complete 9 em dezembro, como é o caso, ele vai passar o ano inteiro precisando de ajuda enquanto seus colegas mais velhos aprendem com facilidade.  O que seria ideal no caso dele? Reprovar. Sim, apesar do peso cultural que a reprovação tem, é preciso explicar ao menino que ele é um menino inteligente, capaz e que infelizmente os educadores e a família erraram em adiantá-lo na escola. Assim ele saberá que a reprovação foi apenas uma “correção de percurso” e não um fracasso.

Há muitos casos de crianças nessa situação, algumas dão conta, apesar da dificuldade, mas a que preço? Qual seria a diferença entre um jovem recém-formado na faculdade com 20 e outro com 21? Nada. Então por que sofrer? Deixem as crianças serem crianças.

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