Presentes que não quebram

EM: 24 de julho de 2016

 

Adoro carinho, beijos, abraços e cafunés. Todo mundo gosta. O afeto é uma marca humana, somos todos carentes. Um bebê que não ganha beijos, abraços, colo, contatos “pele com pele” fica doente. Se for criança, fica chata, enjoada, insuportavelmente irritante. Gira em volta da gente fazendo manha.

Os adolescentes também são carentes, mas pelo medo ingênuo de parecer criança, não gostam de receber carinhos na frente dos colegas. Infelizmente, alguns pais, sem diferenciar o contexto, acabam não apenas evitando carinhos públicos, como também na intimidade do lar. Erro comum.

E os adultos? São diferentes? De jeito nenhum. São todos carentes, mas disfarçam. E o fazem muito mal. Acabam deixando transparecer a carência por meio de comportamentos imaturos: Os homens entregam-se ao silêncio e ao mau humor enterrando-se em sofás isolados. As mulheres ficam contraditórias. Não sabem o que querem e acabam dizendo o que não querem. “Querida, não to te entendendo, dá pra me dizer o que você quer?” E a resposta muitas vezes piora as coisas: “nem eu sei o que quero!”. Pura carência! Homens inteligentes ouvem a contradição e interpretam: “quero carinho, atenção, sentir-me importante para você, mas não sei como dizer isso”.

O que pensar então do fato dos idosos, de boa relação afetiva com seus familiares, adoecerem menos? O que tudo isso significa? Que somos profundamente marcados pelo afeto e nossas principais relações precisam exalar esse perfume!

A essa altura, suponho, você deve estar se perguntando: “Tá, e o que tudo isso tem a ver com presentes que não quebram?” A resposta é: Tudo! Festas como o natal, aniversários ou dia das crianças são marcadas quase exclusivamente pelos presentes. Videogames, brinquedos, jogos, bicicletas, bolas, bonecas, celulares ou tablets. Não há problemas em dar presentes aos seus filhos, mas daqui a alguns anos será maravilhoso ser lembrado pelo carinho dado, pelo afeto constante, pelas conversas compreensivas, por ser amado e por amar. Melhor que ser lembrado por algo que já quebrou, não é?

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