CRITIQUE DO JEITO CERTO

EM: 31 de julho de 2016

Você sabia que uma crítica mal feita pode trazer consequências para o resto da vida de seu filho? Muitos adultos se comportam com insegurança ou recusam novos desafios no trabalho porque não confiam em si mesmos. Esse comportamento pode ser resultado de críticas realizadas pelos seus pais ou cuidadores na infância. E isso afetou a autoestima.

Para compreender melhor como evitar que isso aconteça, precisamos conhecer como a autoestima saudável é construída.

A autoestima saudável é fruto de elogios adequados baseados em fatos reais e motivados pelo afeto, não por táticas manipulativas. Além disso, é preciso que a pessoa tenha sido corrigida e criticada de forma adequada. Entretanto, é fácil errar ao criticar ou elogiar. Crianças, por exemplo, que só recebem elogios e jamais são criticadas não suportam a dor da perda, não têm maturidade para corrigir os próprios erros e se tornam chantagistas emocionais: vivem fazendo birra para ganhar mais atenção, carinho e novos elogios. Quando adultas, a convivência com elas torna-se insuportável.

Se só elogiar não dá certo então como criticar da forma correta? A resposta é simples e direta: criticando assertivamente.

Uma crítica assertiva ataca o problema, jamais a criança. Aponta para o erro, não para a pessoa. É objetiva, nunca subjetiva. Vamos aos exemplos:

Nunca diga: “Você é um relaxado, olhe só que sujeira esse quarto”. Diga: “Que nojo esse quarto, que bagunça, olhe só quanta sujeira. Pode começar a arrumá-lo”.

Jeito errado: “Filho, você é um irresponsável, novamente não deu comida para o cachorro”. Jeito certo: “Filho, você não deu comida para o cachorro de novo!”

Evite: “Seu vagabundo, vai logo fazer a lição de casa e as tarefas que te mandei.” Prefira: “Faça já a lição de casa e as tarefas que te mandei.”

Nos três casos, o ataque à criança por meio de xingamentos (relaxado, irresponsável, vagabundo) foi eliminado e a crítica foi dirigida diretamente ao problema. Esse é o segredo. Agindo dessa forma, a criança pode consertar o erro e até receber elogios por ter feito o que fora solicitado. Se, por outro lado, ela tivesse sido humilhada, mesmo que fizesse suas tarefas ou consertasse seus erros, sua condição de humilhação não mudaria. Ela não conseguiria deixar de ser relaxada, irresponsável ou portadora de qualquer outro adjetivo desqualificador, já que isso não depende de suas atitudes, mas da opinião da outra pessoa.

Além da assertividade, há outra orientação que você deve levar em conta: críticas devem ser feitas em particular, jamais em público. Nada de falar dos erros de seu filho na frente das visitas, da avó ou dos colegas dele. A publicação de críticas promove uma falsa sensação de poder, já que tantas pessoas estão se envolvendo na situação. Isso incentiva a repetição do problema. Uma crítica assertiva e em particular abre espaço para o pedido de desculpas e para a afirmação mútua de afeto.

Critique do jeito certo e seu filho terá muito mais chances de crescer com maturidade emocional e alegria de viver.

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