Filho, venha lavar a louça!

EM: 14 de agosto de 2016

Quando meu filho era pequeno, perto de 4 anos de idade, eu o chamava para lavar a louça:

– Filho, venha lavar a louça comigo.

É claro que eu já havia lavado quase tudo, incluindo cristais, facas e outros objetos perigosos. Deixava para ele apenas algumas tampas de potinhos plásticos. Cheio de vontade de ajudar, ele lavava as tampas, enxaguava e as colocava no escorredor de louça. Em seguida eu o elogiava: “Muito bem filho! Que legal, você já sabe lavar louça. Vamos lá contar para a vovó.” E eu o pegava no colo e levava para ganhar o troféu. A vovó dizia:

Que maravilha de menino! Ele é trabalhador, sabe ajudar, muito bem!

E o menino saía correndo para brincar, feliz por ter ajudado.

Nas próximas vezes a quantidade de tampas e de potes ia aumentando. Sem perceber, a parcela de trabalho da criança aumentava e a minha diminuía.

As associações trabalho-alegria, trabalho-prazer, trabalho-elogio, trabalho-sorriso e trabalho-brincadeira deve ser construída pelos pais. Mais tarde as crianças associam trabalho com coisas boas como realização e felicidade. No entanto, muitos pais constroem uma relação contrária. Relacionam trabalho com mau-humor, com raiva, com broncas ou com coisas ruins. Veja alguns exemplos:

“Filho, primeiro ajudar, depois brincar.” Essa frase, tão comum e inocente, faz a criança associar trabalho com coisas tristes, pois o brincar que dá prazer, vem depois e não durante o trabalho.

“De castigo você vai lavar a louça do almoço por uma semana”. Péssima idéia. Associa trabalho com castigo. Mais tarde esses pais reclamam dizendo que seus filhos não mexem um dedo pra ajudar, só querem o prazer.

“Ajunte logo esses brinquedos do chão. Eu sou sua mãe, não sua empregada” Parece que trabalhar não é um privilégio. Frases desse tipo fazem a criança achar que não há nada bom em fazer atividades práticas em casa.

Portanto cuidado com a forma como você pede ajuda. A mensagem oculta é logo assimilada por seu filho.

Da mesma forma acontece com a lição de casa.

– Filho, tem lição de casa hoje?

– Não, hoje a professora disse que a gente ia ter folga de lição.

– Ah, que bom né? Então vai brincar.

Nesse caso, a professora já enviou um recado ruim “folga” entra em oposição a “trabalho” e dá a impressão de ser uma espécie de prêmio.

Quer que seu filho ame o trabalho e aprenda a se dedicar, ser persistente e valorize o esforço pessoal para conquistar os desafios da vida? Associe trabalho e lição de casa com alegria, prazer, realização, sorrisos, elogios e bom-humor.

Ah, meu filho já adulto, me diz: “pai, me ajuda a lavar a louça?” E passamos bons momentos juntos.

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