Meu filho precisa de mim!

EM: 4 de setembro de 2016

 

Quando eu era coordenador de uma pré-escola aqui em Curitiba, vi uma cena muito interessante. A mãe trazia seu filho de cinco anos para seu primeiro dia de aula, quando, ao chegar, largou a mão do menino e disse: “Tchau meu amor, a professora já tá vendo você. Beijo, te amo”. O menino, disse: “Tchau, mãe”, virou as costas e foi caminhando em direção à professora. A mãe, insatisfeita, continuou: “Não se preocupe, se você tiver medo ou sentir saudades, é só falar pra professora que ela me chama tá?”. Ele, já um pouco apreensivo, respondeu: “Tá”.

A mãe, não suportando tal desprendimento, continuou com a voz emocionada: “Fique tranquilo, amor. Não se preocupe, nada vai acontecer, qualquer coisa eu vou estar no carro e a professora me chama, tá bom?”. A dor da mãe, até então despercebida pela criança, dessa vez foi muito evidente e o menino, possivelmente assustado com tanta cautela, começou a chorar. Afinal, as mães sempre sabem de coisas que a gente nem imagina…

Era o que ela mais precisava. Correu em direção ao fofuxo, abaixou-se e o abraçou como quem diz: “Meu Deus do céu, como é delicioso sentir que sou importante para meu fi­lho”. E repetiu docemente para o agora choroso: “Calma, doçura, mamãe tá aqui”.

A professora, assistindo a tudo, introduziu um pouco de realidade na cena: “Está tudo bem, mamãe, ­fique tranquila, ele vai brincar, se divertir, aprender e ter um dia maravilhoso com os amiguinhos e comigo. Vamos ao parquinho, veremos os bichinhos no bosque… né, lindão?”. O menino passou a manga da blusa na cara e seguiu com a professora. A mãe, apressada, caminhou para o carro chorando, mas com um olhar de satisfação que não dá para explicar com palavras.

Dói ver nossos ­filhos se tornarem cada vez mais independentes. Dói quando já não precisam mais de nós, quando caminham sem ajuda. Mas é justamente essa dor que nos ensina que o crescimento e a maturidade de nossos ­filhos é resultado da autonomia. Sem esse gradual desligamento, teríamos sombras infelizes e incompletas de nós mesmos que permaneceriam à nossa volta, com medo de viver a própria vida. Assim, o “tchau, mãe” pode ser ouvido com dor, mas ativar o mais profundo sentimento de realização de que toda nossa dedicação está dando bons frutos.

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