Aprenda a não fazer nada

EM: 18 de setembro de 2016

 

 

A escola não ensina para o ócio, já disse Domenico De Masi, um grande sociólogo italiano, criticando os currículos educacionais. E o que fazemos? Corremos o dia todo, não paramos para nada, respondemos e-mails, consultamos nossas agendas, verificamos as postagens em redes sociais ou recados nos grupos no celular. Muitos ainda levam o celular para a cama e consultam as inúmeras postagens supérfluas que em nada contribuem para o crescimento pessoal. Parece que a vida está cheia de pequenos mundos virtuais que nos distanciam da dura realidade do dia a dia e isso realmente, pasmem, não está incomodando.

O problema é que estamos ficando sem tempo para bater papo olho no olho, deitar no sofá sem fazer absolutamente nada, brincar com uma criança por mais de cinco minutos ou simplesmente descansar. É como se tudo isso fosse “tempo perdido”, mas não é. Nosso cérebro precisa de descanso, de não fazer nada e não pensar em nada. Precisa parar para recarregar as energias e se deliciar com o silêncio. Precisa meditar.

Entretanto, nossos pais nos ensinaram que “cabeça vazia é oficina do diabo” e então, pressionados pela culpa, trabalhamos, trabalhamos e trabalhamos. Que vida pesada é essa. Quanto desperdício de espetáculos não assistidos como os maravilhosos raios de sol do fim da tarde, das doces melodias dos passarinhos (sim, eles ainda existem) e das contagiantes risadas das crianças brincando em um parquinho qualquer. Precisamos mudar e, para não permitir que nossos filhos caiam no mesmo mar dos corre-corres, temos que ensiná-los que a vida não é só escola, nem só videogame e muito menos a que aparece nas redes sociais.

Uma boa virada em toda essa pressão é começar devagar, para não desistir pelo caminho. Que tal começar levando seu filho para empinar uma pipa? Se não conseguir fazer uma, pode até comprar uma industrializada, mas brincar com ela no céu dá para ficar horas. Andar pelas ruas próximas de sua casa no fim da tarde e conversar sobre pequenas descobertas como o tamanho do cachorro que late ao ver vocês passarem.

Se puder, que tal pegar o carro sábado de manhã e ir para a praia andar na areia e voltar de noitinha? Provavelmente leva-se menos tempo na viagem que no trânsito nas grandes cidades. Enfim, mostre ao seu filho que passar tempo juntos é muito mais gostoso que vencer algo ou alguém num videogame virtual, de realidade aumentada ou nos novos e impressionantes aplicativos de celular que misturam a realidade com o virtual e monstros são capturados.

Melhor mesmo é capturar a vida. E a vida é muito mais que a tecnologia pode nos oferecer.

Bem, já escrevi. Agora vou descansar. Abraço.

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