Não exclua o cara!

EM: 2 de outubro de 2016

 

Hoje recebi uma mensagem no facebook de um velho amigo. Perdemos telefones, endereços e e-mails. Nenhum contato durante anos. Eu pensava: “Onde tá o cara? O que deve estar fazendo? Será que casou? Em que emprego deve estar? Que saudades do jeito dele me falar o que pensa!” Mas não fazia ideia das respostas. Até hoje. Pediu para ser adicionado como meu amigo na rede social.

Que rede é essa? Como assim? Ele já é meu amigo, nunca deixou de ser e me perguntam se o aceito como amigo? Coisas das tecnologias. Agora já posso esperar pauladas, críticas, gozações, opiniões contrárias e aquela série in­finita de sugestões à minha forma de ser e de agir daquele cara que eu sempre mandava para os infernos. Amigos de verdade são assim. Falam o que pensam, magoam, ajudam, incentivam, entristecem, arrumam, perdoam… enfi­m, relacionam-se verdadeiramente. Estou feliz.

Há muitos jovens hoje que não têm amigos desse jeito. Não os desenvolveram, não os cultivaram com o passar dos anos. Conversam por meios virtuais achando que é a mesma coisa que o velho olho-no-olho. Mas não é. Tenho visto muitos adolescentes que à frente da primeira opinião contrária, bloqueiam o ousado. Se forem criticados, excluem o peste da rede de amigos virtuais. Não aprendem a debater, a argumentar, contra-argumentar. Só querem elogios, conversas superfi­ciais, e papinhos sem conteúdo.

Quando o chefe dá uma bronca, acham que a empresa exige demais e reclamam. Se a parceira ou parceiro quiser discutir algum conflito, o fi­m da briga só acontecerá se o outro pedir desculpas. É a vida na superfície. Fragilidades emocionais disfarçadas de popularidade em rede.

Pre­firo não excluir ninguém, não bloquear nem me deixar intimidar por opiniões contrárias. São essas pessoas que me fazem lembrar que sou humano, falível e que todos retornaremos ao pó. Só excluo os que me desrespeitam e insistem nas difamações e calúnias, pois esses não merecem nem meu tempo.

Ensine a seu filho que amigos de verdade devem ser cultivados com persistência. Podem nos ferir tanto quanto nos elevar. Podem magoar tanto quanto nos empurrar para mais um sucesso profi­ssional. E podem ­ficar longe que não serão esquecidos. Com eles a gente cresce.

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