Filho, espere!

EM: 9 de outubro de 2016

 

Quando minha mãe estava ao telefone, eu ficava ali do lado, esperando, até que ela terminasse.

– Que foi, Marcos? – Falava com doçura e total atenção para mim. Eu sabia esperar. E não havia opção. Tinha que esperar, pois “ai de mim” se eu a interrompesse! Sabe o que isso fez comigo? Aprendi a esperar, aprendi que eu não perco nada, não sofro, não dói e que vou receber a atenção logo depois.

Veja outra situação, bem atual:

– Mãaae! Ô mãe, manhêeeee, mãe, mãe, ooooooo mããããeeee, mãe, mãe, mãe, mãe!

E a mãe, meio sem jeito diz:

– Um momentinho, por favor, tenho que atender meu filho. Que foi meu bem?

– Eu quero água.

– Você já consegue pegar sozinho, mas tá bom, a mamãe pega pra você.

A criança venceu. A mãe volta ao telefone:

– Oi? Desculpa… Era meu filhinho precisando de mim. Essas crianças de hoje não dão sossego, né?

Dizer “espere um pouco meu filho” é presentear a criança com uma espécie de amor que a ensina a brincar sozinha enquanto você não pode responder. Ela aprende a esperar a hora certa para comer, para divertir-se, para brincar com o videogame ou para qualquer outra coisa. Amor que ensina paciência. Criança que sabe esperar aprende a brincar sozinha e a fantasiar, pensar, criar, construir mundos imaginários, enfim, desenvolve a própria inteligência.

Logo a família poderá frequentar restaurantes, cinemas, casas de amigos ou parentes sem passar vergonha por causa de shows de birra ou falta de educação. A mãe terá tempo para ler, ver TV ou fazer algo simplesmente para relaxar sem ser interrompida mil vezes. Todos ganham.

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