O gato sem rabo

EM: 23 de outubro de 2016

O Gato sem rabo

Todos os gatos da escola caçoavam do Toby, o gato sem rabo. Gritavam “lá vem o gato sem rabo, o gato sem rabo…”. Ninguém era seu amigo, pois ficavam com vergonha de ter por perto um gato com deficiência. Ele chorava escondido sentindo-se sozinho, abandonado e humilhado pelos colegas. Começou a pensar que a vida não valia a pena ser vivida.

Quando veio a olimpíada nacional das escolas, a professora de Educação Física, uma gata, disse que todos deveriam participar de alguma modalidade e podiam escolher. Formaram equipes de todos os jogos possíveis: futebol, vôlei, handebol, menos natação, pois gatos não gostam de água. Toby entrou na equipe de salto em altura.

Quase ao final das competições, a escola ainda não vencera nenhuma modalidade e a equipe de salto em altura era a última esperança. Seria uma vergonha perder em tudo, não levar nenhuma medalha para casa.

Cada vez que a vara subia mais alto, algum gato esbarrava nela e era eliminado. Toby continuava pulando. Até que só sobraram três gatos: Tóim, de Manaus, que sempre ganhava, Zupt, de Florianópolis, e Toby, de Curitiba.

Tóim pulou e seu rabo enroscou na barra, derrubando-a. Foi eliminado.

Zupt pulou e seu rabo tocou na barra, fazendo-a cair.

Toby pulou e, como não tinha rabo, nada tocou na vara. Venceu!

Toda a escola gritava de alegria: “Toby é nosso herói, Toby é nosso herói”.

E nunca mais os gatos riram de Toby. Daquele dia em diante, aprenderam que todos têm algo especial e devem ser respeitados sempre, pois um gato continua sendo um gato mesmo sem o rabo. É diferente, mas é um gato! Fim.

Contei essa história ao meu filho quando ele tinha seis anos de idade. Ele ficara muito impressionado com a notícia de que uma tia teve que tirar um seio.

Ao final ele disse: “Hummm, a tia continua sendo tia, né pai?”. Acho que ele entendeu. Ainda bem, pois seria difícil explicar para uma criança tão pequena o que faz uma menina ser menina ou uma mulher ser mulher. Eu teria dificuldades em fazê-lo compreender que a essência da feminilidade vem do jeito de ser, de falar, de comportar-se, não da perfeição do corpo, mas da delicadeza do coração.

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