Mãe, pense em você!

EM: 30 de outubro de 2016

 

Durante uma palestra, uma mulher de aproximadamente 35 anos fez a seguinte pergunta: “Professor, todo sábado é a mesma coisa, meu marido sai com os amigos para jogar bola e só volta às sete, cansado, suado e não quer mais nada. O que eu tenho que fazer para ele parar com essa mania?”. Respondi: “Toda sexta à noite, ou outro dia, você sai com as amigas, bate papo, ri muito, fazem passeios diferentes cada vez e volta de noitão toda feliz e realizada, sentindo que a vida vale a pena.” Todos riram e ela ficou pensativa. Claro, depois expliquei.

Um dos fatores da saúde mental é a convivência com amigos. Jogar conversa fora, rir, chorar, brincar, enfim, compartilhar a vida. É tão saudável que é uma das principais recomendações dos terapeutas aos depressivos. A vida não pode ser apenas trabalhar e cuidar dos filhos. Tem que ter espaço para o lazer, para o ócio, para tudo aquilo que te faz sentir viva, feliz, realizada.

Ser mãe, apesar das infinitas mensagens de completude, realização, amor, ai que lindo, é também cansativo. Muitas vezes, cansativo demais. Brincar com o filho, andar atrás dele o dia todo para que não se quebre, não quebre nada, não caia, não morra eletrocutado, não… não… não… pode ser extenuante. Além dos nãos, há os “eu tenho que” brincar com ele, contar histórias, ouvir, cantar, esconder-se, procurar, juntar o que caiu, limpar, arrumar, organizar, lavar… meudeusdocéu… quanta coisa. Parece que a vida gira somente em torno do filho, e o pior de tudo é que há muita gente bem intencionada, mas que não manja nada de psicologia, que diz: “É o amor mais completo”, “É a realização da vida”, “Não há amor maior”, “É a plenitude de uma mulher” e tantas outras do mesmo tom. Sim, há muita verdade em tudo isso, mas você é uma pessoa completa e não apenas “mãe”, apesar do que isso possa significar. Você é uma mulher. Amiga de um tanto de gente. Uma profissional, funcionária, chefe ou autônoma. É parente, prima, tia, filha, neta talvez. É esposa, amante (do marido, claro), companheira, cúmplice de alguém que não quer competir com seu filho, mas precisa de você tanto quanto você precisa dessa pessoa.

Então, para resumir, incentive seu marido a jogar bola, a ser feliz e realizado com seus amigos, não importando o quanto sua ou cansa. E, da mesma forma, invista em você. Duas pessoas felizes, realizadas, de bem com a vida certamente serão pais bem melhores e com certeza pessoas muito mais completas. Só quem se ama tem matéria-prima para amar.

Ensine seu filho (ou filha, ou filhos, ou enteados) que você é uma pessoa normal, que cansa e que precisa de tempo a sós, tempo só para você, pois assim sua saúde mental e física lhe darão condições para estar completa. Filhos que respeitam a integridade de seus pais saberão respeitar outras pessoas. É a vida.

Pense em você.

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