Calma, filho, já passa

EM: 27 de novembro de 2016

Calma filho já passa

Nessas minhas viagens pelo Brasil todo para palestrar tenho visto tantas cenas bárbaras que me surpreendi ao ver uma legal.

Estava almoçando num restaurante de uma cidade do interior de Minas quando um menino saiu de sua mesa para ir ao banheiro. Foi correndo, como é a velocidade natural de crianças saudáveis. Tropeçou no próprio pé estatelando-se no meio de todos. Voltou chorando. A mãe aflita já tinha um no colo. O pai saiu do seu lugar e abaixou-se abraçando o filho que chorava sem parar. E disse com calma: “Eu vi você cair meu filho. Deve ter doído muito. Mas calma, filho, já passa”. Era tão aconchegante aquele colo e tão suave a voz do pai que o menino passou as mangas da camisa no rosto e saiu correndo para o banheiro de novo. Um pouco mais devagar, mas correu. O pai sorriu para a esposa e voltou-se a sentar à mesa.

Erros comuns que poderiam ter ocorrido:

Falar com o menino asperamente: “Pare de chorar, tá todo mundo olhando” “Quem mandou correr?” “Eu falei pra você ter cuidado” “Dá próxima vez vê se aprende a andar em vez de correr” “Você é um atrapalhado mesmo, tropeçou no próprio pé”. Todos esses exemplos trazem culpa e não ensinam nada. Aliás, ensinam. A criança aprende que os pais são acusadores e buscam sempre os erros para atirá-los na cara.

Melhor acolher e, como adultos, mostrar a calma, segurança e o carinho que na hora da dor as crianças precisam receber.

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