Menino isolado

EM: 12 de fevereiro de 2017

Na última escola que visitei encontrei um menino sozinho no pátio fazendo seu lanche. As outras crianças brincavam, corriam, faziam lanche em grupinhos, mas ele estava ali, só.

– Oi, o lanche tá gostoso?

– Tá.

– Como é seu nome?

– Eduardo.

– O meu é Marcos. Por que você está lanchando sozinho? Não quer ficar junto com outros meninos?

– Não.

Estava difícil tirar alguma conversa dele, mas continuei tentando. Talvez sua solidão fosse resultado de bullying, ou por que ele fosse mais pobre que os outros, ou por alguma outra causa. E eu estava decidido a descobrir e ajudá-lo.

– Você está triste?

– Não.

Nesse momento ele passou a manga da camisa na boca, jogou na lixeira o guardanapo e o papel que embrulhava o sanduíche e saiu correndo gritando:

– “Vamu lá galera. Eu escolho o Lucas, o Tiago e o Zé. Vai lá, quem forma o outro time?”

E o Eduardo organizou rapidamente dois times e começaram a jogar bola. Ele era uma espécie de líder e todos o consideravam. Olhei pra uma professora que estava rindo ao ver a cena e lhe perguntei: “Achei que ele estava isolado, triste, mas estava apenas lanchando. Ele é sempre assim?”. A professora respondeu que o menino lanchava sozinho porque sua mãe lhe deu essa ordem, senão ele daria o lanche para alguém e iria jogar bola. O negócio dele é jogar bola.

Nesse momento lembrei-me de várias coisas. A primeira é a de que a gente tende a achar problemas em vez de observar se a criança simplesmente está curtindo algo. A segunda é que a escola normalmente (sim, há exceções) não leva em conta as habilidades diferenciadas das crianças. Um magnífico jogador de futebol vai continuar sendo visto como o aluno nota “6,5” nas outras matérias. E por último, lembrei que falta-nos um pouco mais de interação com as crianças a ponto de conhecê-las tão bem que sabemos exatamente o que está acontecendo.

E você? Conhece bem seu filho? Gasta tempo com ele?

Continuem aprofundando laços!

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