Transferência de autoridade

EM: 14 de maio de 2017

Esperando minha vez para ser atendido numa clínica de otorrinolaringologia vi um menino de uns 6 anos andando por cima das cadeiras. A mãe, sentada na outra ponta da fileira dizia: “Desce daí menino, você vai cair”. E o menino fazia de conta que a ordem não era com ele. Até que uma senhora idosa, com muito menos paciência e mais sabedoria disse ao menino com voz alta o suficiente para que a mãe ouvisse: “Menino! Cadeira é pra sentar. Saia daí”. O mini atleta até vacilou, mas continuou desobedecendo. A mãe, agora incomodada pelos olhares da plateia gripada, tossindo e com o limiar muito baixo para suportar malcriações, resolveu ser mais enfática: “Filho, desce daí senão o guarda vai prender você”.

Quase não acreditei no que eu estava ouvindo. O guarda? É o guarda que deve educar a criança? É dele a responsabilidade? Dessa vez foi ele que fez de conta que não ouviu.

Jamais transfira sua autoridade. Nunca diga: “Pare com isso senão eu vou contar para seu pai”. Diga: “Pare com isso agora. Estou mandando”. E se não parar, tire a criança do que ela está fazendo imediatamente, para que o cérebro dela aprenda que quando você manda, você manda!

Isso se faz desde bebê. Ao dizer “não”, retire imediatamente o bebê do lugar ou o objeto da mão dele. Assim ele aprende que o “não” tem consequências imediatas. E dizer mil nãos ou falar mil vezes a mesma coisa é o mesmo que dizer que a autoridade está com outra pessoa, menos com você.

Você é autoridade. Exerça-a.

Esta foi a cena 2. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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