A toalha da minha mesa não é cipó para seu filho

EM: 21 de maio de 2017

Era uma lanchonete lotada. De vez em quando me permito uma exceção no cardápio saudável e lá estava eu com um hambúrguer enorme nas mãos e uma cara de quem estava adorando. Não durou muito minha felicidade. Um pirralho veio à minha mesa e se pendurou na toalha como se quisesse se balançar. Foi tudo para o chão. Refrigerante, as batatas fritas, o catchup, a mostarda, tudo. Menos o hambúrguer que estava em minhas mãos. O menino virou as costas e correu entre as mesas, fugindo da mãe. Quando finalmente o Tarzan parou, ela o levou para o parquinho na outra sala. Depois veio até mim e pediu desculpas dizendo que compraria outra batata e outro refrigerante. Deixei comprar.

Minha vontade de ser legal com as pessoas tem limite. Pensei em dizer: “É coisa de criança”, mas eu sabia que não era. “Não tem problema, não precisa comprar outra batata, eu já havia comido metade”, mas eu paguei por uma inteira. Aliviar o fato não iria contribuir para que os pais daquele menino percebessem que precisam ensinar o menino a esperar. “Sente aí e espere”. Parece torturante, mas qual a grande perda que uma criança teria se ficasse esperando seu lanche por dez ou quinze minutos?

Esperar é um presente. Aprender que as coisas não vem imediatamente faz parte da maturidade humana. E isso deve ser ensinado. Quando maior, esse menino saberá estudar, fazer a lição, resumir um livro, completar a lista de exercícios de matemática e deixar todas as outras coisas, que dão muito mais prazer, para depois. Ele saberá esperar para ligar o computador, entrar novamente nas redes sociais ou simplesmente olhar os recados do WhatsApp. Quem sabe esperar consegue estudar. E quem estuda de verdade se prepara adequadamente e é aprovado em vestibulares, em concursos ou nos outros testes que a sociedade cria. Quem não sabe esperar, fecha o livro e vai bater papo no celular. E provavelmente ninguém da família lembrará que o livro fechado teve origem na batata frita esparramada no chão.

Esta foi a cena 3. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

 

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