Conte histórias para seu filho, mas não o subestime!

EM: 2 de julho de 2017

Numa das vezes que contei historinhas para meus filhos antes deles dormirem, meu filho mais velho, aos dois anos de idade pediu que eu contasse uma mais legal.

– Mais legal? Como assim filho? Essa não foi legal?

– Foi legal, mas eu quero maaaaaais legal.

– Tá bom, vou tentar. “Era uma vez uma abelhinha que gostava muito de buscar mel em flores muito bonitas e blá-blá-blá…”

Ele, impaciente, disse que era legal, mas não muito. Então joguei para ele a responsabilidade:

– Então conte você uma bem legal.

E o que aconteceu em seguida me surpreendeu. O vocabulário de uma criança de dois anos é limitadíssimo, mas a forma como ele contornou o problema foi hilária!

– Aí um menino caiu no rio e socoooorrro, socoooorrro. Veio um pópero (helicóptero) tuf-tuf-tuf-tuf. Pegue a corda, pegue a corda. Uóoooo, tchibum. Tuf-tuf-tuf uóuóuóoooo. Aí o menino foi po pital (foi para o hospital) e o pai dele foi buscar. Fim.

Sério, abelhinhas? Eu estava contando historinhas sobre abelhas, flores e ele contou uma com ação, suspense, emoção e final feliz. Salvamento, helicóptero, ambulância! Eu ri muito e falei: “Que história legal, meu filho! Você sabe contar histórias!”.

Daquele dia em diante aprendi a mesclar as histórias com a imaginação deles. Eu ia até um certo ponto e perguntava o que ia acontecer em seguida. As respostas sempre me surpreendiam, pois a imaginação sem clichês das crianças é muito rica.

Crianças que aprendem a contar histórias, aprendem a ordenar suas ideias e melhorar seus argumentos. Esta é uma característica muito necessária nos dias de hoje em que o trabalho em equipe necessita da exposição clara das ideias de todos. Quem não sabe se comunicar com clareza certamente estará perdendo pontos na vida profissional e pessoal.

Conte histórias e incentive seus filhos a contar as deles. No começo podem ser simples demais, não tem problema, mas logo você vai perceber que as suas estão precisando de ajuda! Os irmãos Grimm, Christian Andersen, Monteiro Lobato, C.S. Lewis e outros escritores brasileiros maravilhosos podem te ajudar. Boa leitura. Boa contação de histórias.

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