Meu filho me bate na cara

EM: 26 de março de 2017

meu filho de bate

Meu filho tem sete anos e me desobedece, enfrenta e desafia a minha autoridade o tempo todo. Não sei mais o que fazer. Brigar, por de castigo? Enfrentar não tem resolvido. Mas o que me assustou foi que na última discussão ele me deu um tapa na cara. Minha vontade foi de devolver na hora, mas sei que agressão física não resolve. Ajude-me por favor?

Recebi esse a mensagem pelo meu Facebook. Vamos às respostas. Há um transtorno pouco conhecido e que tem essas características. É o Transtorno Opositor-Desafiante (TOD). Se for o caso do menino, é preciso conhecer com profundidade o transtorno para saber agir, senão as atitudes dos pais podem piorar o quadro. Acompanhamento de um psicoterapeuta qualificado é fundamental.

Entretanto, se não for TOD, o comportamento do menino é resultado de uma série de erros em sua educação e isso pode ser resolvido com mais facilidade. Resumindo, a educação de qualquer criança deve se basear no binômio afeto-autoridade. Se faltar um dos dois, vai dar problema. Recomendo dois livros que podem ajudar muito, um de minha autoria e outro de uma jornalista americana que foi viver em Paris e percebeu que  a educação de lá não admite birras e manhas. São eles: Desligue Isso e vá Estudar (Editora Fundamento) e Crianças Francesas não fazem Manha (Pamela Druckerman – Editora Objetiva).

Boa sorte com o menino.

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Meus heróis são diferentes

EM: 19 de março de 2017

Boy in red superhero cape and mask

O goleiro Bruno foi preso por assassinato e solto por minúcias processuais jurídicas. Dá muita tristeza ver como funciona a Justiça em nosso país. Esse é apenas um caso. No entanto o que me deixou indignado essa semana foi ver o goleiro, já solto, ao lado de crianças e adolescentes implorando por um autógrafo dele. Por um momento pensei que era uma montagem fotográfica, pois em minha ingenuidade algo assim jamais aconteceria, mas a foto era real. Crianças cujo herói matou uma mulher e jamais contou para a família dela onde o corpo está. Nunca disse onde a escondeu. Uma pessoa que se arrepende de verdade teria contado, chorado e implorado por perdão, mas ele está sorrindo e autografando. Pensei na família Samudio. Cada foto dele deve ser um tapa na cara uma cuspida na honra e um soco no estômago fazendo com que a dor se transforme na esperança de que a justiça divina faça o que a terrena não fez.

Voltemos às crianças. Que herói elas estão venerando? Onde estão os pais dessas crianças que não lhes ensinam que heróis são exemplos de ética, honra, honestidade, trabalho, solidariedade, amor e justiça?

E querem proibir que os professores opinem nas escolas. É justamente pela educação, pela capacidade de criticar, analisar, debater, filosofar, discutir todo tipo de tema que nossos jovens podem amadurecer e crescer como cidadãos. Não é proibindo o debate, mas construindo-o.

Com certeza se os temas como justiça, violência contra a mulher, ética, solidariedade, preconceito, fama, narcisismo e influência da mídia fossem debatidos em sala de aula, o caso “bruno” (sim com b minúsculo) já teria sido alvo de uma discussão profunda. E se assim fosse, as crianças teriam concluído que ele não pode ser herói de quem ama a verdade, a justiça e a solidariedade humana.

Quando eu era criança, meu herói era meu avô. Um sapateiro que ajudava os pobres e as viúvas e que trabalhava com tanto carinho que sempre apareciam viajantes de cidades próximas para encomendar as botas que jamais se estragavam. A filha dele, minha mãe, trabalhava num pequeno salão de beleza do nascer do sol até escurecer e depois limpava a casa e nos preparava o jantar. E no fim do dia, mesmo esgotada, nos lia histórias. Ela é minha heroína. Até hoje!

Realmente, meus heróis são diferentes.

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Aprendizados novos

EM: 12 de março de 2017

Foto: Caroline Hernandez

Filho, cuide-se! Este ano não vai ser nada fácil na escola. Não quero ver você em recuperação, muito menos reprovado. Esse recado tem o objetivo de fazer seu filho levar mais a sério a escola, mas será que dá resultado? Creio que não, pois a base dessa mensagem é o medo. “Vou estudar para não reprovar.” É totalmente diferente de outro possível recado como este: “Filho, que legal que você já foi para o 6º ano (ou para o ano que seu filho realmente foi). Você vai aprender coisas muito legais, coisas novas. E isso vai fazer você ficar ainda mais inteligente!!” Perceba a diferença. No segundo recado a criança vai querer estudar por causa das coisas incríveis que irá aprender, o foco está no positivo, na aprendizagem, no ganho e não na perda.

 

A mesma coisa deverá ser com relação a todos os outros desafios que a infância ou a adolescência trazem. Nada de colocar medo, ameaçar, ou de acreditar que seu filho possa se esforçar mais porque algo ruim vai acontecer. Se isso funcionasse, a Inquisição na Idade Média não teria trabalho algum, já que ninguém pecaria, pois iria para o inferno ou seria queimado em uma fogueira.

 

As pessoas mais realizadas que conheço estudam incansavelmente tudo o que diz respeito à profissão que exercem. Estudam porque gostam. Divertem-se aprendendo coisas novas e já planejam onde e como vão colocar em prática. Não é pesado, parece que nem cansa. Imagine se você tivesse que fazer uma cirurgia complicada e fosse ser paciente de um médico que sabe tudo sobre seu problema e conhece várias técnicas possíveis para resolvê-lo. Não seria infinitamente melhor que ir a um médico que fez o curso de Medicina e nunca mais pegou em um livro porque já não é mais obrigatório aprender?

 

A persistência vem da vontade, não do medo.

Que este ano seja repleto de novos desafios para você e para seus filhos e que vocês saibam incentivar-se mutuamente.

Vai ser legal!

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Liga pro pai

EM: 5 de março de 2017

liga pro pai

Uma das maiores reclamações dos pais quando os filhos crescem, é a de que se sentem abandonados, que os filhos não telefonam, não os visitam. “Coitados, trabalham tanto…” dizem para justificar a frieza dos herdeiros. Alguns são somente isso mesmo, herdeiros.

Como ensiná-los a serem diferentes? Desde pequenos. O pai não dá bola para aniversário? Sem essa! Vai ter aniversário surpresa. Sempre. Organizado pela mãe como forma de ensinar os filhos sobre a importância que o pai tem na vida deles. No aniversário da mãe, vai ter festa sim. De vez em quando, a mãe pode dizer ao filho: liga pro seu pai e diz que você está com saudades. “Mas eu não tô!” talvez seja a resposta. É hora de insistir: “Tá bom, então diga pra ele brincar com você quando chegar depois do trabalho”.

Não pode haver negociação, tem que ligar e pronto.

Essa rotina de valorização dos detalhes, mais tarde será tão bem incorporada pelos filhos que ao se tornarem adultos continuarão telefonando, visitando e valorizando aniversários ou outras conquistas dos pais. E depois de um tempo, ensinarão seus próprios filhos a fazerem o mesmo.

Para começar, que tal mostrar a seus filhos que você liga para seus próprios pais? Eles vão adorar ver você falando com a vovó. Vínculos precisam ser ensinados sempre.

– Alô? Vovó? Péra, meu pai quer falar com você.

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Palavrão

EM: 27 de fevereiro de 2017

palavrao criancas

Minha avó era uma senhora muito tradicional, religiosa, cheia de princípios. Ninguém podia falar palavrão na casa dela. Se algum filho transgredisse a regra, certamente levaria umas varadas no traseiro.

Ela sempre repetia: “Não pode falar palavrão, nunca fale palavrão.”

O filho menor, só obedecia: “Tá bom mãe, tá bom. Nunca vou falar”.

Certo dia os irmãos estavam provocando tanto o caçula que ele explodiu:

“Palavrão, palavrão, palavrão!!” E saiu correndo para não apanhar da mãe.

A história é lembrada até hoje na família.

Crianças pequenas não compreendem o significado de muitas palavras, principalmente os palavrões. Então, quando seu filho aprender um novo na escolinha e vir falando em casa, nada de pânico! Basta orientar, pois eles aprendem rápido. Você também deve explicar o significado de uma forma simples, ao alcance da compreensão de seu filho, assim ele não passará como ingênuo caso alguém o provoque. Não é necessário colocar de castigo, basta explicar que em sua família vocês evitam.

Mas atenção: não diga que vocês jamais falam um palavrão, pois se um dia você estiver lavando uma taça e ela escorregar de sua mão e quebrar, talvez você diga um “que bossa” ou algo parecido! Então vai ser mais fácil explicar que o palavrão tem hora e lugar para ser dito.

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Picolé de frutas

EM: 19 de fevereiro de 2017

picole_Filhos

Quando eu era criança, meus irmãos e eu fazíamos picolés nas forminhas de gelo. Nós pegávamos uma fruta qualquer, manga, morangos, laranja… o que estivesse à mão. A gente mesmo descascava a fruta, acrescentava a água, adoçava (lembro que sempre ficava muito mais doce do que minha mãe gostaria) e então batia no liquidificador. A mãe já havia orientado quanto ao uso do eletrodoméstico e seus perigos, então a gente realmente tomava muito cuidado. Depois do suco pronto era só despejar nas forminhas de gelo ou em copinhos de plástico e colocar no congelador, sempre vazio.

 
Como era difícil esperar que endurecessem.

 
– Parem de abrir esse congelador senão demora mais para congelar. – Dizia sempre nossa mãe.

 
Que espécie de tortura era essa? Se abrir, demora mais, se não abrir pode ficar pronto e a gente nem perceber!

 
Horas depois os alemãezinhos estavam todos de boca cheia, lábios rosados, rindo à toa. Eram os melhores picolés do mundo. Claro que a gente evoluiu, fizemos uns de achocolatado tão bons que podiam concorrer com os famosos comercializados nas padarias. Muito mais que picolés, estávamos fazendo nossa história.

 
Que tal fazer uns picolés com seus filhos? Ensine-os e permita que façam a famosa lambuzeira. As aprendizagens são muitas. E a memória desses momentos trará muita alegria no futuro.

 
Bom picolé. Ah, se der, ensine a não por tanto açúcar!

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Menino isolado

EM: 12 de fevereiro de 2017

menino isolado

Na última escola que visitei encontrei um menino sozinho no pátio fazendo seu lanche. As outras crianças brincavam, corriam, faziam lanche em grupinhos, mas ele estava ali, só.

– Oi, o lanche tá gostoso?

– Tá.

– Como é seu nome?

– Eduardo.

– O meu é Marcos. Por que você está lanchando sozinho? Não quer ficar junto com outros meninos?

– Não.

Estava difícil tirar alguma conversa dele, mas continuei tentando. Talvez sua solidão fosse resultado de bullying, ou por que ele fosse mais pobre que os outros, ou por alguma outra causa. E eu estava decidido a descobrir e ajudá-lo.

– Você está triste?

– Não.

Nesse momento ele passou a manga da camisa na boca, jogou na lixeira o guardanapo e o papel que embrulhava o sanduíche e saiu correndo gritando:

– “Vamu lá galera. Eu escolho o Lucas, o Tiago e o Zé. Vai lá, quem forma o outro time?”

E o Eduardo organizou rapidamente dois times e começaram a jogar bola. Ele era uma espécie de líder e todos o consideravam. Olhei pra uma professora que estava rindo ao ver a cena e lhe perguntei: “Achei que ele estava isolado, triste, mas estava apenas lanchando. Ele é sempre assim?”. A professora respondeu que o menino lanchava sozinho porque sua mãe lhe deu essa ordem, senão ele daria o lanche para alguém e iria jogar bola. O negócio dele é jogar bola.

Nesse momento lembrei-me de várias coisas. A primeira é a de que a gente tende a achar problemas em vez de observar se a criança simplesmente está curtindo algo. A segunda é que a escola normalmente (sim, há exceções) não leva em conta as habilidades diferenciadas das crianças. Um magnífico jogador de futebol vai continuar sendo visto como o aluno nota “6,5” nas outras matérias. E por último, lembrei que falta-nos um pouco mais de interação com as crianças a ponto de conhecê-las tão bem que sabemos exatamente o que está acontecendo.

E você? Conhece bem seu filho? Gasta tempo com ele?

Continuem aprofundando laços!

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Volta às aulas

EM: 5 de fevereiro de 2017

volta as aulas

Para muitas crianças o retorno às aulas é traumático. Choram, fazem birras, dizem que não querem ir e pronto. Não há argumentação lógica que convença a criaturinha de que vai ser legal, que a professora é querida, que os coleguinhas vão brincar ou que o parquinho é muito divertido. Nada adianta.

O que fazer?

Em muitos casos a mãe ou o pai é que estão interferindo negativamente, sem perceber. Por exemplo, se a mãe está muito ansiosa, muito carente, muito ligada ao filho, dormem na mesma cama… então há uma espécie de simbiose, uma ligação exagerada que acaba interferindo no “tchau filho, boa aula” e no “tchau, mãe!!”.

Nesses casos, é melhor que inicialmente outra pessoa leve a criança para a escola, para não criar expectativas equivocadas por parte da criança. O pai, a vó, ou uma tia.

Quando a mãe já estiver acostumada com a ausência do filho e sentindo em seu coração que a escola é boa para ele, então pode assumir a responsabilidade de levá-lo novamente. A questão principal é estar em paz. O filho percebe e fica também. Se a mãe (ou o pai, claro) demonstrar insegurança, o filho também se sente inseguro e chora!

Bom ano letivo para todos, crianças e pais.

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Filhos que nos entristecem

EM: 29 de janeiro de 2017

filhos que nos entristecem

Filhos dão muita alegria. De vez em quando desobedecem, fazem uma birra, ficam de “burro amarrado”, mas logo voltam ao normal e os sorrisos voltam à face.

Mas se você pai ou você mãe não concorda com essa opinião e seus filhos estão desobedientes demais, fazem muitas birras e vivem de cara amarrada como se nada estivesse bom para eles, então algo está errado. E normalmente, pasmem, o erro é nosso.

Basta avaliar o dia-a-dia de seu filho. Ele tem tarefas domésticas e as cumpre? Ele tem momentos a sós com o pai ou com a mãe? Ele acompanha os pais nas compras de supermercado, nas visitas aos avós e vê como vocês tratam os mais velhos? Os símbolos de status social são devidamente explicados para ele, fazendo-o compreender que a solidariedade humana vale mais que dinheiro e que ser honesto é melhor que ser esperto?

Assim, se os princípios e valores são corretamente ensinados, dificilmente os filhos nos trazem tristezas. Entretanto se nós não os ajudamos a amar o trabalho, a serem verdadeiros e solidários, então eles de alguma forma se perdem pelo caminho.

Filhos que nos entristecem são filhos mal educados, mal ensinados, mal acompanhados e mal orientados. A boa notícia é que dá para mudar. Comece hoje!

 

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Gritarias no avião

EM: 22 de janeiro de 2017

gritarias no avião

Crianças adoram gritar, correr e pular. Não há nada de errado nisso. Mas gritar incessantemente pedindo balinhas para a aeromoça pode até parecer engraçadinho na primeira ou segunda vez, mas lá pela quadragésima quinta vez os passageiros estavam dispostos a jogar a mãe pela janela (ou o pai se estivesse presente também) e junto com ela a doce menininha. (Aos leitores inflexíveis: calma, estou usando ironia).

A filhota mandava na mãe. Dizia como colocar o cinto, como apertá-lo, como ligar a TV, mudar de canal… Chamou a aeromoça tantas vezes que ninguém mais comparecia. E todo esse escarcéu era realizado do alto dos seus quatro anos de idade com um volume de voz que competia com as turbinas.

Autoridade e afeto é a única forma de educar uma criança de forma correta. A falta de autoridade abre espaço para uma série de comportamentos equivocados, chatos, irritantes e altamente desgastantes para os pais e para todos que entram em contato com a criança, como as pobres professoras, garçons, aeromoças e nós passageiros do avião.

Tivemos apenas uma hora de inferno, mas não recebemos nenhum tipo de desconto na passagem aérea por ter passado por isso. Pais, não abdiquem de sua autoridade. Nem do afeto. Amar também é colocar limites.

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