Amar também é dizer “não”

EM: 7 de maio de 2017

amar tambem e dizer nao

Esta cena eu presenciei num restaurante por quilo. A mãe com a menina no colo ia perguntando tudo a ela: Quer tomate? Quer cenoura? E que tal um pouquinho de arroz? Pelo menos um pouquinho de feijão, né meu amor? E todas as respostas eram “não”. Já na fila da balança, dei uma olhadinha no prato da menina e vi o resultado: metade do prato com batatas fritas, um pedacinho de frango grelhado e macarrão com molho quatro queijos. E só.

A menina deveria ter dois anos de idade. E do alto dessa grande experiência de vida e conhecimento sobre o benefício da pirâmide alimentar, ela decide o que vai comer. E já tinha muitos quilos acima do peso ideal pela quantidade de dobrinhas no pescocinho. Não devemos ser ditadores e carrascos em relação à comida, mas uma criança não tem sabedoria o suficiente para decidir o que vai comer, quando ou como. Nós pais precisamos ensinar. E isso significa suportar pequenas birras, mau-humor, cara fechada e alguns esporádicos “odeio você”.

Uma criança precisa experimentar o mesmo tipo de alimento no mínimo umas dez vezes para que seu paladar comece a aceitar a novidade e passar a gostar de saladas, verduras, diferentes tipos de cereais etc. É preciso insistir. Se os pais aceitarem o “não quero” de seus filhos, estarão contribuindo para a instalação de um comportamento alimentar equivocado cujas consequências afetarão a saúde da criança.

Portanto, amar de verdade significa dizer ao seu filho “Não! Quem faz seu prato sou eu. Quando você já souber comer de tudo, deixo você escolher de vez em quando”. E ponto final. No começo podem acontecer birras, reclamações e as famosas “caras amarradas”, mas depois que a criança descobrir que não tem negociação, ela para de reagir. Vai preferir um ou outro alimento e rejeitar outros, mas o equilíbrio entre os tipos de alimentos você vai garantir e a saúde de seu filho será preservada.

Esta foi a cena 1. Cada domingo veremos uma cena em que um princípio de educação de crianças será evidenciado. São situações reais que anoto em um arquivo especial em meu celular e que podem servir de disparadores de reflexões importantes para ajudar os pais na difícil e linda tarefa de criar filhos com sabedoria. Boa leitura e boas reflexões!

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Baleia Azul e as cores da vida

EM: 24 de abril de 2017

Baleia azul

Quantos jovens ainda vão morrer para que o tema do suicídio seja levado mais a sério? É sabido que há um aumento do número de suicídios quando a imprensa divulga um caso, pois de alguma forma o fato vira modelo e aumenta a coragem dos jovens que estão na fase do planejamento. Entretanto falar sobre o tema com seriedade e propor soluções contribui para que os pais ou os próprios jovens reflitam sobre a vida e não levem à frente suas intenções. É esse nosso desejo.

Recentemente a imprensa divulgou casos de tentativas de suicídio relacionados ao jogo Baleia Azul, presente na internet, que propõe 50 tarefas a serem cumpridas uma por dia e comprovadas a uma pessoa “julgadora” que avalia a veracidade. São tarefas como fazer cortes no braço ou na perna, pendurar-se em lugares perigosos, tomar medicamentos que os façam ficar doentes, passar um dia inteiro assistindo a filmes de terror ou violentos e assim por diante. Tudo deve ser comprovado por fotos ou vídeos enviados a esse juiz. A 50ª tarefa propõe o suicídio. Não importa se a coisa toda é assim mesmo ou se é brincadeira de mau gosto, o problema é que se houvesse apenas um caso de auto agressão, já seria condenável e não deveríamos minimizar os efeitos de tal “brincadeira”.

Em tudo isso há dois pontos a considerar. O primeiro deles é que não devemos permitir a banalização do sofrimento do adolescente como vem ocorrendo nas redes sociais. Correntes como “50 passos para arrumar seu quarto” ou qualquer outra brincadeira do mesmo nível despreza a dor real de muitos jovens. A adolescência é uma fase difícil em que os meninos e as meninas passam por transformações no corpo, na vida social, emocional, familiar e cognitiva. Não é nada fácil. A preocupação em estar adequado, em pertencer a um grupo ou ser aceito pelos pares é constante e nem sempre compreendida. Nós adultos já passamos por essas preocupações e hoje olhamos para trás e aceitamos o fato de que nos fizeram crescer ou ser o que somos, no entanto para quem está na fase a percepção é outra, é de dor. Assim, o melhor que podemos fazer é compreender e acolher, jamais repreender, desprezar ou tentar diminuir a dor por meio de brincadeiras ou gozações.

O segundo ponto, não menos importante, é o julgamento que a sociedade faz a respeito da educação que os pais dão a esses jovens. É fácil dizer “esse menino foi mal criado”, “essa menina não recebeu princípios”, “os pais desse jovem estavam onde?” e assim por diante. Os pais erram sim, mas a maior parte deles com o objetivo de acertar. Por amor permitem que usem a internet, que os filhos estejam presentes nas redes sociais ou passem horas no videogame. Como adequar os tempos? Cada realidade é uma, cada filho tem uma personalidade diferente e reage de forma única frente aos limites impostos. Claro que há princípios da educação que podem ajudar, mas eles não são os únicos que influenciam a vida do jovem. Portanto, jamais podemos culpar os pais. Vamos orientá-los, não julgá-los. Acolhê-los, não incriminá-los.

E, em vez de lutarmos contra todas essas forças destrutivas de jogos mal intencionados ou de “amigos” que incentivam a morte, que tal trabalharmos todos para a valorização da vida? Isso se faz com programas antibullying que ajudam a perceber a importância de participar de projetos de apoio a orfanatos, a asilos, a ações sociais significativas. Jovens que se envolvem com práticas sociais construtivas simples, como arrecadar agasalhos, fraldas ou leite em pó para os necessitados veem o mundo com outros olhos, pois percebem que seu próprio sofrimento diminui na presença da dor do outro.

Quando o mundo deixa de ser a exclusividade da rede social, do próprio quarto, dos aparelhos tecnológicos e passa a ser ampliado pela construção de um bem maior, a vida começa a valer a pena e a ter mil cores, não só a azul.

 

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Seu filho sofre para fazer a lição de casa?

EM: 2 de abril de 2017

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Recebi um pedido de ajuda pelo Facebook de uma mamãe desesperada com seu filho de 8 anos. Segundo ela, o menino não consegue fazer as lições de casa por serem muito difíceis. Além disso, não presta atenção nas explicações que ela dá, não se concentra direito e está muito distraído em sala de aula. Ela gostaria de saber qual é o problema do menino ou se ele tem algum tipo de transtorno. Quando perguntei em que ano ele está na escola, a mãe respondeu que está no 4º ano! Um menino de 8 anos deveria estar no máximo no 3º. Ou seja, ele deve ter entrado no primeiro ano com 5 aninhos.  Mesmo que complete 9 em dezembro, como é o caso, ele vai passar o ano inteiro precisando de ajuda enquanto seus colegas mais velhos aprendem com facilidade.  O que seria ideal no caso dele? Reprovar. Sim, apesar do peso cultural que a reprovação tem, é preciso explicar ao menino que ele é um menino inteligente, capaz e que infelizmente os educadores e a família erraram em adiantá-lo na escola. Assim ele saberá que a reprovação foi apenas uma “correção de percurso” e não um fracasso.

Há muitos casos de crianças nessa situação, algumas dão conta, apesar da dificuldade, mas a que preço? Qual seria a diferença entre um jovem recém-formado na faculdade com 20 e outro com 21? Nada. Então por que sofrer? Deixem as crianças serem crianças.

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Meu filho me bate na cara

EM: 26 de março de 2017

meu filho de bate

Meu filho tem sete anos e me desobedece, enfrenta e desafia a minha autoridade o tempo todo. Não sei mais o que fazer. Brigar, por de castigo? Enfrentar não tem resolvido. Mas o que me assustou foi que na última discussão ele me deu um tapa na cara. Minha vontade foi de devolver na hora, mas sei que agressão física não resolve. Ajude-me por favor?

Recebi esse a mensagem pelo meu Facebook. Vamos às respostas. Há um transtorno pouco conhecido e que tem essas características. É o Transtorno Opositor-Desafiante (TOD). Se for o caso do menino, é preciso conhecer com profundidade o transtorno para saber agir, senão as atitudes dos pais podem piorar o quadro. Acompanhamento de um psicoterapeuta qualificado é fundamental.

Entretanto, se não for TOD, o comportamento do menino é resultado de uma série de erros em sua educação e isso pode ser resolvido com mais facilidade. Resumindo, a educação de qualquer criança deve se basear no binômio afeto-autoridade. Se faltar um dos dois, vai dar problema. Recomendo dois livros que podem ajudar muito, um de minha autoria e outro de uma jornalista americana que foi viver em Paris e percebeu que  a educação de lá não admite birras e manhas. São eles: Desligue Isso e vá Estudar (Editora Fundamento) e Crianças Francesas não fazem Manha (Pamela Druckerman – Editora Objetiva).

Boa sorte com o menino.

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Meus heróis são diferentes

EM: 19 de março de 2017

Boy in red superhero cape and mask

O goleiro Bruno foi preso por assassinato e solto por minúcias processuais jurídicas. Dá muita tristeza ver como funciona a Justiça em nosso país. Esse é apenas um caso. No entanto o que me deixou indignado essa semana foi ver o goleiro, já solto, ao lado de crianças e adolescentes implorando por um autógrafo dele. Por um momento pensei que era uma montagem fotográfica, pois em minha ingenuidade algo assim jamais aconteceria, mas a foto era real. Crianças cujo herói matou uma mulher e jamais contou para a família dela onde o corpo está. Nunca disse onde a escondeu. Uma pessoa que se arrepende de verdade teria contado, chorado e implorado por perdão, mas ele está sorrindo e autografando. Pensei na família Samudio. Cada foto dele deve ser um tapa na cara uma cuspida na honra e um soco no estômago fazendo com que a dor se transforme na esperança de que a justiça divina faça o que a terrena não fez.

Voltemos às crianças. Que herói elas estão venerando? Onde estão os pais dessas crianças que não lhes ensinam que heróis são exemplos de ética, honra, honestidade, trabalho, solidariedade, amor e justiça?

E querem proibir que os professores opinem nas escolas. É justamente pela educação, pela capacidade de criticar, analisar, debater, filosofar, discutir todo tipo de tema que nossos jovens podem amadurecer e crescer como cidadãos. Não é proibindo o debate, mas construindo-o.

Com certeza se os temas como justiça, violência contra a mulher, ética, solidariedade, preconceito, fama, narcisismo e influência da mídia fossem debatidos em sala de aula, o caso “bruno” (sim com b minúsculo) já teria sido alvo de uma discussão profunda. E se assim fosse, as crianças teriam concluído que ele não pode ser herói de quem ama a verdade, a justiça e a solidariedade humana.

Quando eu era criança, meu herói era meu avô. Um sapateiro que ajudava os pobres e as viúvas e que trabalhava com tanto carinho que sempre apareciam viajantes de cidades próximas para encomendar as botas que jamais se estragavam. A filha dele, minha mãe, trabalhava num pequeno salão de beleza do nascer do sol até escurecer e depois limpava a casa e nos preparava o jantar. E no fim do dia, mesmo esgotada, nos lia histórias. Ela é minha heroína. Até hoje!

Realmente, meus heróis são diferentes.

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Aprendizados novos

EM: 12 de março de 2017

Foto: Caroline Hernandez

Filho, cuide-se! Este ano não vai ser nada fácil na escola. Não quero ver você em recuperação, muito menos reprovado. Esse recado tem o objetivo de fazer seu filho levar mais a sério a escola, mas será que dá resultado? Creio que não, pois a base dessa mensagem é o medo. “Vou estudar para não reprovar.” É totalmente diferente de outro possível recado como este: “Filho, que legal que você já foi para o 6º ano (ou para o ano que seu filho realmente foi). Você vai aprender coisas muito legais, coisas novas. E isso vai fazer você ficar ainda mais inteligente!!” Perceba a diferença. No segundo recado a criança vai querer estudar por causa das coisas incríveis que irá aprender, o foco está no positivo, na aprendizagem, no ganho e não na perda.

 

A mesma coisa deverá ser com relação a todos os outros desafios que a infância ou a adolescência trazem. Nada de colocar medo, ameaçar, ou de acreditar que seu filho possa se esforçar mais porque algo ruim vai acontecer. Se isso funcionasse, a Inquisição na Idade Média não teria trabalho algum, já que ninguém pecaria, pois iria para o inferno ou seria queimado em uma fogueira.

 

As pessoas mais realizadas que conheço estudam incansavelmente tudo o que diz respeito à profissão que exercem. Estudam porque gostam. Divertem-se aprendendo coisas novas e já planejam onde e como vão colocar em prática. Não é pesado, parece que nem cansa. Imagine se você tivesse que fazer uma cirurgia complicada e fosse ser paciente de um médico que sabe tudo sobre seu problema e conhece várias técnicas possíveis para resolvê-lo. Não seria infinitamente melhor que ir a um médico que fez o curso de Medicina e nunca mais pegou em um livro porque já não é mais obrigatório aprender?

 

A persistência vem da vontade, não do medo.

Que este ano seja repleto de novos desafios para você e para seus filhos e que vocês saibam incentivar-se mutuamente.

Vai ser legal!

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Liga pro pai

EM: 5 de março de 2017

liga pro pai

Uma das maiores reclamações dos pais quando os filhos crescem, é a de que se sentem abandonados, que os filhos não telefonam, não os visitam. “Coitados, trabalham tanto…” dizem para justificar a frieza dos herdeiros. Alguns são somente isso mesmo, herdeiros.

Como ensiná-los a serem diferentes? Desde pequenos. O pai não dá bola para aniversário? Sem essa! Vai ter aniversário surpresa. Sempre. Organizado pela mãe como forma de ensinar os filhos sobre a importância que o pai tem na vida deles. No aniversário da mãe, vai ter festa sim. De vez em quando, a mãe pode dizer ao filho: liga pro seu pai e diz que você está com saudades. “Mas eu não tô!” talvez seja a resposta. É hora de insistir: “Tá bom, então diga pra ele brincar com você quando chegar depois do trabalho”.

Não pode haver negociação, tem que ligar e pronto.

Essa rotina de valorização dos detalhes, mais tarde será tão bem incorporada pelos filhos que ao se tornarem adultos continuarão telefonando, visitando e valorizando aniversários ou outras conquistas dos pais. E depois de um tempo, ensinarão seus próprios filhos a fazerem o mesmo.

Para começar, que tal mostrar a seus filhos que você liga para seus próprios pais? Eles vão adorar ver você falando com a vovó. Vínculos precisam ser ensinados sempre.

– Alô? Vovó? Péra, meu pai quer falar com você.

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Palavrão

EM: 27 de fevereiro de 2017

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Minha avó era uma senhora muito tradicional, religiosa, cheia de princípios. Ninguém podia falar palavrão na casa dela. Se algum filho transgredisse a regra, certamente levaria umas varadas no traseiro.

Ela sempre repetia: “Não pode falar palavrão, nunca fale palavrão.”

O filho menor, só obedecia: “Tá bom mãe, tá bom. Nunca vou falar”.

Certo dia os irmãos estavam provocando tanto o caçula que ele explodiu:

“Palavrão, palavrão, palavrão!!” E saiu correndo para não apanhar da mãe.

A história é lembrada até hoje na família.

Crianças pequenas não compreendem o significado de muitas palavras, principalmente os palavrões. Então, quando seu filho aprender um novo na escolinha e vir falando em casa, nada de pânico! Basta orientar, pois eles aprendem rápido. Você também deve explicar o significado de uma forma simples, ao alcance da compreensão de seu filho, assim ele não passará como ingênuo caso alguém o provoque. Não é necessário colocar de castigo, basta explicar que em sua família vocês evitam.

Mas atenção: não diga que vocês jamais falam um palavrão, pois se um dia você estiver lavando uma taça e ela escorregar de sua mão e quebrar, talvez você diga um “que bossa” ou algo parecido! Então vai ser mais fácil explicar que o palavrão tem hora e lugar para ser dito.

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Picolé de frutas

EM: 19 de fevereiro de 2017

picole_Filhos

Quando eu era criança, meus irmãos e eu fazíamos picolés nas forminhas de gelo. Nós pegávamos uma fruta qualquer, manga, morangos, laranja… o que estivesse à mão. A gente mesmo descascava a fruta, acrescentava a água, adoçava (lembro que sempre ficava muito mais doce do que minha mãe gostaria) e então batia no liquidificador. A mãe já havia orientado quanto ao uso do eletrodoméstico e seus perigos, então a gente realmente tomava muito cuidado. Depois do suco pronto era só despejar nas forminhas de gelo ou em copinhos de plástico e colocar no congelador, sempre vazio.

 
Como era difícil esperar que endurecessem.

 
– Parem de abrir esse congelador senão demora mais para congelar. – Dizia sempre nossa mãe.

 
Que espécie de tortura era essa? Se abrir, demora mais, se não abrir pode ficar pronto e a gente nem perceber!

 
Horas depois os alemãezinhos estavam todos de boca cheia, lábios rosados, rindo à toa. Eram os melhores picolés do mundo. Claro que a gente evoluiu, fizemos uns de achocolatado tão bons que podiam concorrer com os famosos comercializados nas padarias. Muito mais que picolés, estávamos fazendo nossa história.

 
Que tal fazer uns picolés com seus filhos? Ensine-os e permita que façam a famosa lambuzeira. As aprendizagens são muitas. E a memória desses momentos trará muita alegria no futuro.

 
Bom picolé. Ah, se der, ensine a não por tanto açúcar!

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Menino isolado

EM: 12 de fevereiro de 2017

menino isolado

Na última escola que visitei encontrei um menino sozinho no pátio fazendo seu lanche. As outras crianças brincavam, corriam, faziam lanche em grupinhos, mas ele estava ali, só.

– Oi, o lanche tá gostoso?

– Tá.

– Como é seu nome?

– Eduardo.

– O meu é Marcos. Por que você está lanchando sozinho? Não quer ficar junto com outros meninos?

– Não.

Estava difícil tirar alguma conversa dele, mas continuei tentando. Talvez sua solidão fosse resultado de bullying, ou por que ele fosse mais pobre que os outros, ou por alguma outra causa. E eu estava decidido a descobrir e ajudá-lo.

– Você está triste?

– Não.

Nesse momento ele passou a manga da camisa na boca, jogou na lixeira o guardanapo e o papel que embrulhava o sanduíche e saiu correndo gritando:

– “Vamu lá galera. Eu escolho o Lucas, o Tiago e o Zé. Vai lá, quem forma o outro time?”

E o Eduardo organizou rapidamente dois times e começaram a jogar bola. Ele era uma espécie de líder e todos o consideravam. Olhei pra uma professora que estava rindo ao ver a cena e lhe perguntei: “Achei que ele estava isolado, triste, mas estava apenas lanchando. Ele é sempre assim?”. A professora respondeu que o menino lanchava sozinho porque sua mãe lhe deu essa ordem, senão ele daria o lanche para alguém e iria jogar bola. O negócio dele é jogar bola.

Nesse momento lembrei-me de várias coisas. A primeira é a de que a gente tende a achar problemas em vez de observar se a criança simplesmente está curtindo algo. A segunda é que a escola normalmente (sim, há exceções) não leva em conta as habilidades diferenciadas das crianças. Um magnífico jogador de futebol vai continuar sendo visto como o aluno nota “6,5” nas outras matérias. E por último, lembrei que falta-nos um pouco mais de interação com as crianças a ponto de conhecê-las tão bem que sabemos exatamente o que está acontecendo.

E você? Conhece bem seu filho? Gasta tempo com ele?

Continuem aprofundando laços!

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