Minha filha disse que me odeia

EM: 15 de janeiro de 2017

minha filha disse que me odeia

Numa discussão a filha de uma amiga gritou que a odiava e que não pediu pra nascer. Palavras duras. As duas saíram cada uma para um lado e não conversaram mais naquele dia. A mãe se perguntava onde foi que eu errei?” e a filha “ninguém me entende nessa casa”. O conflito entre mãe e filha é antigo, faz parte da natureza humana, mas por que em algumas famílias isso jamais acontece? Qual é o segredo?

Creio que a resposta está no equilíbrio entre afeto e autoridade. Pais que têm intimidade com seus filhos, que os ouvem, passam bons momentos juntos, compartilham pequenas vitórias e fracassos, falam de si uns para os outros costumam ter um vínculo com tanta profundidade que os filhos acreditam fortemente no amor dos pais e se sentem ridículos quando colocam isso em dúvida. Em relação à autoridade, os pais que a exercem com tranquilidade e justiça são tão respeitados que os filhos não têm coragem de enfrentá-los com tanto desrespeito como acima. E a autoridade se constrói diariamente, em pequenas coisas. Um dos segredos é fazer com que as crianças, desde muito pequenas, tenham pequenas atividades domésticas sob sua responsabilidade. Isso cria nelas um sentimento de pertencimento “faço parte dessa família”, o que ajuda a perceber-se como importante, de valor para pais e irmãos.

O clima entre você e sua filha está muito ruim? Recomece. Uma boa conversa num momento de calmaria dá bons resultados. E na sequencia, aumente sua intimidade diariamente ao mesmo tempo em que vai estabelecendo pequenas tarefas para que ela as execute. Elogios sinceros e críticas com calma vão reestabelecendo a calmaria.

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Respeite seu leitor

EM: 8 de janeiro de 2017

respeite seu leitor

Obrigado pela torcida, consegui!

Meu pai está no hospital para enfim fazer a cirurgia, orem por ele.

A sobrinha do meu amigo desapareceu, compartilhem com o maior número de pessoas para que seus pais logo a encontrem.

Estou muito triste, mas Deus sabe todas as coisas e vai fazer justiça.

Você já deve ter lido muitas postagens nas redes sociais desse tipo. A gente fica se perguntando: tá, quem morreu e por que? ; conseguiu o quê?; que cirurgia, meudeusdocéu, o que seu pai tem?; a menina desapareceu como? E quando a encontrarem vão nos dizer porque ela sumiu e com quem?; ok, você está triste, mas a carência está maior, pois quer todo mundo perguntando “o que aconteceu amiga?” e por aí vai. Há uma regra de etiqueta que serve muito bem nesses casos: tornou público, explique. Pediu publicamente, dê satisfações. Está compartilhando sentimentos? Conte a razão. E se não for possível compartilhar ou explicar, então não torne público! Faça a postagem particular ou mande uma mensagem individual para os interessados.

A internet vai ficar muito menos poluída!

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Vai um coró?

EM: 1 de janeiro de 2017

Vai um coró

Muitas crianças com obesidade são filhas de pais que também têm problemas em manter o peso dentro do índice de massa corporal adequado para sua altura e idade. Realmente não é nada fácil manter-se no peso ideal, pois as ofertas de produtos deliciosos e calóricos é muito grande e a dificuldade de sair do sedentarismo também é. Então como podemos ajudar as crianças a serem mais saudáveis? Reaprendendo comportamentos alimentares adequados. E precisamos participar ativamente, não apenas cobrando, mas nos reeducando. Não basta saber, é preciso praticar.

Em minhas palestras para pais costumo dar um exemplo que a princípio causa certo impacto, mas depois todos entendem: há tribos indígenas que comem coró de palmeira, aquela larva branca do tamanho de um dedo que se alimenta de galhos podres. Os adultos comem e as crianças também! Imagine o indiozinho recusando. Como seria um diálogo com sua mãe?

– Não quero comer isso, tô com nojo.

– Come meu filho, senão você vai ficar com fome depois.

– Ele anda dentro da minha boca.

– Então morde logo que ele para de andar. Veja, coloca assim e plóft, hummm que delícia.

– Tem gosto de palmeira.

– É, mas esses daqui têm gosto de pinheiro, outros de cedro… já experimentou um com gosto de Sumaúma?

E por aí vai o diálogo. Até que a criança experimenta uma vez, duas, três e logo estará acostumada com o sabor. Não há opções. Ou é o coró ou nada. Mais tarde, na vida adulta, comerá com prazer.

Seu filho não gosta de salada? Recusa-se a comer folhas verdes, tomates, brócolis? Está faltando experimentar várias vezes até que se acostume ao paladar. E isso fica muito mais fácil com os pais dizendo: “Humm, esse brócolis está diferente hoje! Como você o preparou?” E assim vai. Logo ele comerá.

Para ajudar, evite deixar à disposição salgadinhos, guloseimas, refrigerantes ou outros produtos excessivamente calóricos e de baixo poder nutricional. Tenha sempre uma bandeja linda com bananas, maçãs, pêssegos ou outras frutas da época. Na hora da fome seu filho dirá:

“Só tem isso pra comer?” E você corre até à bandeja e dirá: “Ainda bem que você lembrou, eu também estava com fome. Humm, esses pêssegos devem estar uma delícia! Pegue esse que está mais maduro”.

Faça desse ano o ano da virada, o ano em que vocês decidiram melhorar a alimentação.01

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Gentileza

EM: 25 de dezembro de 2016

Gentileza

As crianças têm um instinto de sobrevivência muito acirrado. Não querem dar a vez para o amigo jogar videogame, entregar o melhor pedaço de bolo para o irmão ou deixar outra criança passar na frente numa fila para um brinquedo. Nem dá para gente esperar que fosse muito diferente, pois os coitadinhos dos fofuchos, são tão pequenininhos!

Entretanto crianças gentis e educadas recebem atenção mais qualificada dos adultos. Recebem mais elogios e são mais incentivadas a fazer algo, pois os adultos gostam dessas crianças mais que as “pestinhas”. Sem exagerar, é claro, pois crianças doces demais são chatas.

Mas como nossos filhos podem se tornar mais gentis? Como fazer para que aprendam a deixar os mais idosos entrar antes no elevador, passarem à frente nas filas, ou simplesmente dizer para o amigo que veio brincar em sua casa: “pode se servir!” e esperar pacientemente sua vez? Isso é fruto de aprendizado. E nada melhor que ensinar por meio do exemplo. Seja mais gentil com as pessoas, seja educado no trânsito dando a vez para quem quer entrar em sua faixa, cumprimente as pessoas, ou seja, seja gentil. Seja educado. E, obviamente, vá explicando a seu filho as razões que lhe fazem agir assim. Seu filho aprenderá das duas formas: seus ensinamentos e seus exemplos!

Obrigado por ter lido até aqui! Rsrs

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Uma escada para o céu

EM: 18 de dezembro de 2016

Uma escada para o céu

Quando eu tinha uns dez anos de idade, eu passava a maior parte das minhas férias escolares na casa da minha avó. Era um jeito de a minha mãe ter sossego e não explodir tendo que trabalhar como cabeleireira e ainda cuidar de cinco filhos. Todo ano era a mesma coisa:

– Marcos, a vovó Rosa já está te esperando!

E eu ia. Sempre achava chato ir, pois não tinha com quem brincar e a vovó só queria um neto por perto, pois dois dariam muito trabalho. Mas quando eu chegava, tinha uma casa, uma vovó e tempo ocioso só para mim.

Como não tinha outra coisa a fazer, eu lia. Naquela antiga casa de madeira havia uma estante “mágica” com dezenas de livros infantis. Irmãos Grimm, Christian Andersen, contos fantásticos, fábulas, duendes, monstros, dragões… A fantasia corria solta. Creio que li aqueles livros umas três ou quatro vezes e minha imaginação nunca mais foi a mesma. Quando eu ia dormir, ficava um tempão criando outras histórias, com finais que eu fantasiava. Numa dessas noites decidi que iria construir uma escada para o céu. (Talvez João e o pé de feijão tivessem me impactado demais). Seria de bambu. Compraria uma fazenda e plantaria todo o bambu necessário para emendar um no outro por quilômetros e quilômetros. Até fiz uns protótipos no dia seguinte com palitos de sorvete.

Então, depois que a escada estivesse pronta, eu subiria e veria como é que minha tia e meu outro avô, já falecidos, estariam vivendo. Iria descobrir como funciona tudo lá no paraíso. Falaria com Deus e pediria algumas coisas legais, como um estilingue mais forte ou um arco e flecha que funcionasse, pois os que eu fazia nunca davam certo. E, com certeza, pediria para o Criador que me desse superpoderes para que eu jamais morresse se fosse lutar contra um dragão.

Era exatamente isso. Eu tinha que fazer uma escada para chegar ao céu.

Já se passaram mais de 40 anos desde que decidi construir a escada. Não sei como é o paraíso e espero demorar muito tempo ainda para conhecê-lo. Não comprei a fazenda. Não plantei bambus. E, graças a Deus, não encontrei o dragão.

Fiz muitas coisas e aprendi outras. Muitas outras. Aprendi que aproximar-se do céu é fazer o bem para outras pessoas sem esperar nada em troca. Isso nos torna melhores, mais dignos e mais humanos. Aprendi a não acusar, julgar ou humilhar ninguém.

São aprendizados que começaram lá atrás no meio das páginas de contos, fábulas e estórias fantásticas. Livros que nossos filhos precisam ler. Fantasias que precisam construir. Valores que, uma vez aprendidos, farão deles, pessoas melhores. E, por último, aprendi que são esses valores que constroem uma escada para o céu.

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Presente mole

EM: 11 de dezembro de 2016

Presente mole

 

Quando eu era criança, detestava receber presentes moles. Eram calças, camisetas, bermudas, meias… essas coisas. Preferia presentes duros, como carrinhos, bolas, jogos de tabuleiro… E como era gostoso abrir um pacote que tivesse uma caixa. Antes mesmo de abrir, já sentia o peso, chacoalhava para tentar adivinhar o que havia dentro.

Hoje já passei da fase dos brinquedos duros. Adoro receber presentes de todos os tipos: moles, duros, ou mesmo aqueles que não pesam absolutamente nada, como telefonemas, visitas, declarações de amor ou simplesmente, quando estou palestrando, sorrisos da plateia. Os presentes mudam de significado e de valor. Deixam de ser classificados como caros ou baratos e passam a ser sentidos como “tocam o coração” ou não.

Ensine seu filho a ver os presentes com outros olhos. fale do valor que cada um tem (não do preço), pois uma vovozinha que gastou quase um terço de sua pensão para comprar um presente para o netinho tem um valor altíssimo perto daquele que o tio rico comprou sem nem prestar atenção e que deve ter custado meio por cento do salário dele. Claro que você não vai falar do tio, mas evidencie o sacrifício da vovó, para que seu filho aprenda a ver além do objeto e enxergue o coração. Mesmo que o presente que a vovó tenha comprado seja um presente mole.

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Príncipes e princesas

EM: 4 de dezembro de 2016

Príncipes e princesas

Estamos na era dos príncipes e das princesas. Crianças estão sendo tratadas com tantos elogios, carinhos e concessões que se sentem o centro do mundo e nós, adultos, à margem.

À mesa, são servidas antes. No elevador, entram correndo antes que os adultos, antes inclusive, do vizinho que chegou primeiro. Em público choram até conseguir o que querem. No restaurante, escolhem o que vão comer, incluindo uma quantidade que não dão conta.  Estão sendo criadas como herdeiras do trono de reis e rainhas já destituídos.

E isso não é bom.

Crianças precisam ser frustradas, criticadas, dar a vez, pedir licença, dizer por favor, agradecer, desculpar-se, e todos os outros sinais de “bons modos” –  como diriam nossas mamães e vovós. Obviamente, não criticadas em público, precisam ter muito mais experiências de sucesso que de fracasso, corrigidas com carinho e ensinadas com persistência nas “palavrinhas mágicas”. Tirá-las do lugar da nobreza inatingível e colocá-las na estrada em que se anda com as sandálias da humildade. Assim, quando a maturidade vier, serão pessoas gentis, educadas e cientes do seu lugar no mundo. Nem mais, nem menos.

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Calma, filho, já passa

EM: 27 de novembro de 2016

Calma filho já passa

Calma filho já passa

Nessas minhas viagens pelo Brasil todo para palestrar tenho visto tantas cenas bárbaras que me surpreendi ao ver uma legal.

Estava almoçando num restaurante de uma cidade do interior de Minas quando um menino saiu de sua mesa para ir ao banheiro. Foi correndo, como é a velocidade natural de crianças saudáveis. Tropeçou no próprio pé estatelando-se no meio de todos. Voltou chorando. A mãe aflita já tinha um no colo. O pai saiu do seu lugar e abaixou-se abraçando o filho que chorava sem parar. E disse com calma: “Eu vi você cair meu filho. Deve ter doído muito. Mas calma, filho, já passa”. Era tão aconchegante aquele colo e tão suave a voz do pai que o menino passou as mangas da camisa no rosto e saiu correndo para o banheiro de novo. Um pouco mais devagar, mas correu. O pai sorriu para a esposa e voltou-se a sentar à mesa.

Erros comuns que poderiam ter ocorrido:

Falar com o menino asperamente: “Pare de chorar, tá todo mundo olhando” “Quem mandou correr?” “Eu falei pra você ter cuidado” “Dá próxima vez vê se aprende a andar em vez de correr” “Você é um atrapalhado mesmo, tropeçou no próprio pé”. Todos esses exemplos trazem culpa e não ensinam nada. Aliás, ensinam. A criança aprende que os pais são acusadores e buscam sempre os erros para atirá-los na cara.

Melhor acolher e, como adultos, mostrar a calma, segurança e o carinho que na hora da dor as crianças precisam receber.

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Ser mãe é padecer no paraíso?

EM: 20 de novembro de 2016

Ser mãe é padecer no paraíso

Vamos deixar o preconceito de lado e ouvir o que um homem tem a dizer sobre ser mãe? Vem, vou ajudar você. Aprendi três coisinhas com duas mãezonas: a Psicologia e a Educação.

1. Todo mundo erra. Somos humanos. Você já errou, está errando ou vai errar na educação de seu filho. Não é fácil acertar sempre. No fundo você errou porque ama, pois a intenção era educar. Errou? Perdoe-se, peça perdão (se for o caso) e siga em frente, pare de se culpar e de martirizar-se.

2. Você tem o direito de perder a paciência. Sério, ficar atrás de uma criança o dia todo, ouvir choros e reclamações, brincar, conversar, explicar e falar mil vezes a mesma coisa não é nada fácil. “Torra.” Você fica com vontade de tirar férias, sair de perto, fugir, pedir para o pai, tia ou avó ficar com o fofucho só para você poder respirar. A conclusão? Você é normal.

3. Ser mãe não é tudo. Além de mãe, você é mulher, esposa, filha, amiga, colega de trabalho, e uma série de outras versões de si mesma! E você precisa de tempo para que elas possam continuar a existir. Salão de beleza, academia, shopping, barzinho, restaurante, cinema, igreja, churrasco da “firma”, deixaram de existir em sua vida? Cuidado! Daqui a pouco seu filho diz: “tchau mãe” e vai para o intercâmbio, casar, morar fora, enfim, ter sua própria vida… e o que houve com a sua? Ficar sem a companhia de seu filho em algumas noites ou algumas tardes de sábados não te coloca no inferno, pelo contrário, ensina a seu filho que crescer é adquirir autonomia. Chega de grude!

Leia o livro Crianças francesas não fazem manha de uma jornalista americana morando em Paris. Leitura que resgata a mulher que há em cada mãe e ajuda a educar com princípios práticos e úteis. O capítulo sobre choros à noite é libertador.

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Tempo de perdoar

EM: 13 de novembro de 2016

Tempo de perdoar

Quando eu tinha 14 anos, meu pai me deu uma surra lendária. Bateu-me com tapas e socos onde quer que atingisse. Eu, sentado no chão, tentava me proteger cobrindo minha cabeça com as mãos e braços e gritando escandalosamente para que alguém me salvasse. Tias, minha mãe e a vovó correram intervir e gritavam: “Pare! Na cabeça não é lugar de bater, chega!” Eu corri para o meu quarto e meu pai ficou ouvindo sermões intermináveis das superprotetoras.

Como eu sabia que era culpado e meu pai achava que não tinha exagerado nos tapas, nem eu nem ele jamais tocamos no assunto. Mas algo não ficou bem. Lá no fundo eu achava que não tinha merecido aquela surra. Eu já tinha 14 anos, ele poderia ter me dado algum castigo, mas não batido. A mágoa me acompanhou. Treze anos depois do ocorrido, meu pai faleceu. Um câncer o derrubou. Não tive oportunidade de pedir perdão pelo meu escândalo nem de perdoá-lo pela surra. Essa dor me acompanhava e me deixava triste nos momentos de silêncio ou de reflexão sobre a vida. Eu tinha que fazer algo.

Foi então que estudei sobre o perdão e seus efeitos. Aprendi que perdoar não é esquecer, é não mais exigir o pagamento. Entendi que perdoar não depende da outra pessoa pedir, mas da gente simplesmente deixar de lado qualquer sentimento negativo em relação a ela. É dizer internamente: “Ok, não precisa pagar nada”.

Fiz então um pequeno ritual. Escrevi uma carta para meu pai “Querido pai eu te perdoo e aceito o teu perdão”. Coloquei fogo no papel. Foi um momento libertador e quando aquelas imagens da surra vêm me perturbar, lembro do fogo apagando tudo e marcando um “antes-e-depois”. Meu coração está em paz e cheio de uma saudade sincera dos bons momentos que passamos juntos. Restou o carinho.

Faça o mesmo: livre-se de sentimentos como mágoa, amargura, vontade de vingar-se, ou qualquer outro que possa existir em seu coração e que esteja lhe machucando. Perdoe e vá ser feliz, pois você merece. E, claro, ensine seus filhos a perdoar.

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