Picolé de frutas

EM: 19 de fevereiro de 2017

picole_Filhos

Quando eu era criança, meus irmãos e eu fazíamos picolés nas forminhas de gelo. Nós pegávamos uma fruta qualquer, manga, morangos, laranja… o que estivesse à mão. A gente mesmo descascava a fruta, acrescentava a água, adoçava (lembro que sempre ficava muito mais doce do que minha mãe gostaria) e então batia no liquidificador. A mãe já havia orientado quanto ao uso do eletrodoméstico e seus perigos, então a gente realmente tomava muito cuidado. Depois do suco pronto era só despejar nas forminhas de gelo ou em copinhos de plástico e colocar no congelador, sempre vazio.

 
Como era difícil esperar que endurecessem.

 
– Parem de abrir esse congelador senão demora mais para congelar. – Dizia sempre nossa mãe.

 
Que espécie de tortura era essa? Se abrir, demora mais, se não abrir pode ficar pronto e a gente nem perceber!

 
Horas depois os alemãezinhos estavam todos de boca cheia, lábios rosados, rindo à toa. Eram os melhores picolés do mundo. Claro que a gente evoluiu, fizemos uns de achocolatado tão bons que podiam concorrer com os famosos comercializados nas padarias. Muito mais que picolés, estávamos fazendo nossa história.

 
Que tal fazer uns picolés com seus filhos? Ensine-os e permita que façam a famosa lambuzeira. As aprendizagens são muitas. E a memória desses momentos trará muita alegria no futuro.

 
Bom picolé. Ah, se der, ensine a não por tanto açúcar!

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Menino isolado

EM: 12 de fevereiro de 2017

menino isolado

Na última escola que visitei encontrei um menino sozinho no pátio fazendo seu lanche. As outras crianças brincavam, corriam, faziam lanche em grupinhos, mas ele estava ali, só.

– Oi, o lanche tá gostoso?

– Tá.

– Como é seu nome?

– Eduardo.

– O meu é Marcos. Por que você está lanchando sozinho? Não quer ficar junto com outros meninos?

– Não.

Estava difícil tirar alguma conversa dele, mas continuei tentando. Talvez sua solidão fosse resultado de bullying, ou por que ele fosse mais pobre que os outros, ou por alguma outra causa. E eu estava decidido a descobrir e ajudá-lo.

– Você está triste?

– Não.

Nesse momento ele passou a manga da camisa na boca, jogou na lixeira o guardanapo e o papel que embrulhava o sanduíche e saiu correndo gritando:

– “Vamu lá galera. Eu escolho o Lucas, o Tiago e o Zé. Vai lá, quem forma o outro time?”

E o Eduardo organizou rapidamente dois times e começaram a jogar bola. Ele era uma espécie de líder e todos o consideravam. Olhei pra uma professora que estava rindo ao ver a cena e lhe perguntei: “Achei que ele estava isolado, triste, mas estava apenas lanchando. Ele é sempre assim?”. A professora respondeu que o menino lanchava sozinho porque sua mãe lhe deu essa ordem, senão ele daria o lanche para alguém e iria jogar bola. O negócio dele é jogar bola.

Nesse momento lembrei-me de várias coisas. A primeira é a de que a gente tende a achar problemas em vez de observar se a criança simplesmente está curtindo algo. A segunda é que a escola normalmente (sim, há exceções) não leva em conta as habilidades diferenciadas das crianças. Um magnífico jogador de futebol vai continuar sendo visto como o aluno nota “6,5” nas outras matérias. E por último, lembrei que falta-nos um pouco mais de interação com as crianças a ponto de conhecê-las tão bem que sabemos exatamente o que está acontecendo.

E você? Conhece bem seu filho? Gasta tempo com ele?

Continuem aprofundando laços!

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Volta às aulas

EM: 5 de fevereiro de 2017

volta as aulas

Para muitas crianças o retorno às aulas é traumático. Choram, fazem birras, dizem que não querem ir e pronto. Não há argumentação lógica que convença a criaturinha de que vai ser legal, que a professora é querida, que os coleguinhas vão brincar ou que o parquinho é muito divertido. Nada adianta.

O que fazer?

Em muitos casos a mãe ou o pai é que estão interferindo negativamente, sem perceber. Por exemplo, se a mãe está muito ansiosa, muito carente, muito ligada ao filho, dormem na mesma cama… então há uma espécie de simbiose, uma ligação exagerada que acaba interferindo no “tchau filho, boa aula” e no “tchau, mãe!!”.

Nesses casos, é melhor que inicialmente outra pessoa leve a criança para a escola, para não criar expectativas equivocadas por parte da criança. O pai, a vó, ou uma tia.

Quando a mãe já estiver acostumada com a ausência do filho e sentindo em seu coração que a escola é boa para ele, então pode assumir a responsabilidade de levá-lo novamente. A questão principal é estar em paz. O filho percebe e fica também. Se a mãe (ou o pai, claro) demonstrar insegurança, o filho também se sente inseguro e chora!

Bom ano letivo para todos, crianças e pais.

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Filhos que nos entristecem

EM: 29 de janeiro de 2017

filhos que nos entristecem

Filhos dão muita alegria. De vez em quando desobedecem, fazem uma birra, ficam de “burro amarrado”, mas logo voltam ao normal e os sorrisos voltam à face.

Mas se você pai ou você mãe não concorda com essa opinião e seus filhos estão desobedientes demais, fazem muitas birras e vivem de cara amarrada como se nada estivesse bom para eles, então algo está errado. E normalmente, pasmem, o erro é nosso.

Basta avaliar o dia-a-dia de seu filho. Ele tem tarefas domésticas e as cumpre? Ele tem momentos a sós com o pai ou com a mãe? Ele acompanha os pais nas compras de supermercado, nas visitas aos avós e vê como vocês tratam os mais velhos? Os símbolos de status social são devidamente explicados para ele, fazendo-o compreender que a solidariedade humana vale mais que dinheiro e que ser honesto é melhor que ser esperto?

Assim, se os princípios e valores são corretamente ensinados, dificilmente os filhos nos trazem tristezas. Entretanto se nós não os ajudamos a amar o trabalho, a serem verdadeiros e solidários, então eles de alguma forma se perdem pelo caminho.

Filhos que nos entristecem são filhos mal educados, mal ensinados, mal acompanhados e mal orientados. A boa notícia é que dá para mudar. Comece hoje!

 

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Gritarias no avião

EM: 22 de janeiro de 2017

gritarias no avião

Crianças adoram gritar, correr e pular. Não há nada de errado nisso. Mas gritar incessantemente pedindo balinhas para a aeromoça pode até parecer engraçadinho na primeira ou segunda vez, mas lá pela quadragésima quinta vez os passageiros estavam dispostos a jogar a mãe pela janela (ou o pai se estivesse presente também) e junto com ela a doce menininha. (Aos leitores inflexíveis: calma, estou usando ironia).

A filhota mandava na mãe. Dizia como colocar o cinto, como apertá-lo, como ligar a TV, mudar de canal… Chamou a aeromoça tantas vezes que ninguém mais comparecia. E todo esse escarcéu era realizado do alto dos seus quatro anos de idade com um volume de voz que competia com as turbinas.

Autoridade e afeto é a única forma de educar uma criança de forma correta. A falta de autoridade abre espaço para uma série de comportamentos equivocados, chatos, irritantes e altamente desgastantes para os pais e para todos que entram em contato com a criança, como as pobres professoras, garçons, aeromoças e nós passageiros do avião.

Tivemos apenas uma hora de inferno, mas não recebemos nenhum tipo de desconto na passagem aérea por ter passado por isso. Pais, não abdiquem de sua autoridade. Nem do afeto. Amar também é colocar limites.

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Minha filha disse que me odeia

EM: 15 de janeiro de 2017

minha filha disse que me odeia

Numa discussão a filha de uma amiga gritou que a odiava e que não pediu pra nascer. Palavras duras. As duas saíram cada uma para um lado e não conversaram mais naquele dia. A mãe se perguntava onde foi que eu errei?” e a filha “ninguém me entende nessa casa”. O conflito entre mãe e filha é antigo, faz parte da natureza humana, mas por que em algumas famílias isso jamais acontece? Qual é o segredo?

Creio que a resposta está no equilíbrio entre afeto e autoridade. Pais que têm intimidade com seus filhos, que os ouvem, passam bons momentos juntos, compartilham pequenas vitórias e fracassos, falam de si uns para os outros costumam ter um vínculo com tanta profundidade que os filhos acreditam fortemente no amor dos pais e se sentem ridículos quando colocam isso em dúvida. Em relação à autoridade, os pais que a exercem com tranquilidade e justiça são tão respeitados que os filhos não têm coragem de enfrentá-los com tanto desrespeito como acima. E a autoridade se constrói diariamente, em pequenas coisas. Um dos segredos é fazer com que as crianças, desde muito pequenas, tenham pequenas atividades domésticas sob sua responsabilidade. Isso cria nelas um sentimento de pertencimento “faço parte dessa família”, o que ajuda a perceber-se como importante, de valor para pais e irmãos.

O clima entre você e sua filha está muito ruim? Recomece. Uma boa conversa num momento de calmaria dá bons resultados. E na sequencia, aumente sua intimidade diariamente ao mesmo tempo em que vai estabelecendo pequenas tarefas para que ela as execute. Elogios sinceros e críticas com calma vão reestabelecendo a calmaria.

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Respeite seu leitor

EM: 8 de janeiro de 2017

respeite seu leitor

Obrigado pela torcida, consegui!

Meu pai está no hospital para enfim fazer a cirurgia, orem por ele.

A sobrinha do meu amigo desapareceu, compartilhem com o maior número de pessoas para que seus pais logo a encontrem.

Estou muito triste, mas Deus sabe todas as coisas e vai fazer justiça.

Você já deve ter lido muitas postagens nas redes sociais desse tipo. A gente fica se perguntando: tá, quem morreu e por que? ; conseguiu o quê?; que cirurgia, meudeusdocéu, o que seu pai tem?; a menina desapareceu como? E quando a encontrarem vão nos dizer porque ela sumiu e com quem?; ok, você está triste, mas a carência está maior, pois quer todo mundo perguntando “o que aconteceu amiga?” e por aí vai. Há uma regra de etiqueta que serve muito bem nesses casos: tornou público, explique. Pediu publicamente, dê satisfações. Está compartilhando sentimentos? Conte a razão. E se não for possível compartilhar ou explicar, então não torne público! Faça a postagem particular ou mande uma mensagem individual para os interessados.

A internet vai ficar muito menos poluída!

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Vai um coró?

EM: 1 de janeiro de 2017

Vai um coró

Muitas crianças com obesidade são filhas de pais que também têm problemas em manter o peso dentro do índice de massa corporal adequado para sua altura e idade. Realmente não é nada fácil manter-se no peso ideal, pois as ofertas de produtos deliciosos e calóricos é muito grande e a dificuldade de sair do sedentarismo também é. Então como podemos ajudar as crianças a serem mais saudáveis? Reaprendendo comportamentos alimentares adequados. E precisamos participar ativamente, não apenas cobrando, mas nos reeducando. Não basta saber, é preciso praticar.

Em minhas palestras para pais costumo dar um exemplo que a princípio causa certo impacto, mas depois todos entendem: há tribos indígenas que comem coró de palmeira, aquela larva branca do tamanho de um dedo que se alimenta de galhos podres. Os adultos comem e as crianças também! Imagine o indiozinho recusando. Como seria um diálogo com sua mãe?

– Não quero comer isso, tô com nojo.

– Come meu filho, senão você vai ficar com fome depois.

– Ele anda dentro da minha boca.

– Então morde logo que ele para de andar. Veja, coloca assim e plóft, hummm que delícia.

– Tem gosto de palmeira.

– É, mas esses daqui têm gosto de pinheiro, outros de cedro… já experimentou um com gosto de Sumaúma?

E por aí vai o diálogo. Até que a criança experimenta uma vez, duas, três e logo estará acostumada com o sabor. Não há opções. Ou é o coró ou nada. Mais tarde, na vida adulta, comerá com prazer.

Seu filho não gosta de salada? Recusa-se a comer folhas verdes, tomates, brócolis? Está faltando experimentar várias vezes até que se acostume ao paladar. E isso fica muito mais fácil com os pais dizendo: “Humm, esse brócolis está diferente hoje! Como você o preparou?” E assim vai. Logo ele comerá.

Para ajudar, evite deixar à disposição salgadinhos, guloseimas, refrigerantes ou outros produtos excessivamente calóricos e de baixo poder nutricional. Tenha sempre uma bandeja linda com bananas, maçãs, pêssegos ou outras frutas da época. Na hora da fome seu filho dirá:

“Só tem isso pra comer?” E você corre até à bandeja e dirá: “Ainda bem que você lembrou, eu também estava com fome. Humm, esses pêssegos devem estar uma delícia! Pegue esse que está mais maduro”.

Faça desse ano o ano da virada, o ano em que vocês decidiram melhorar a alimentação.01

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Gentileza

EM: 25 de dezembro de 2016

Gentileza

As crianças têm um instinto de sobrevivência muito acirrado. Não querem dar a vez para o amigo jogar videogame, entregar o melhor pedaço de bolo para o irmão ou deixar outra criança passar na frente numa fila para um brinquedo. Nem dá para gente esperar que fosse muito diferente, pois os coitadinhos dos fofuchos, são tão pequenininhos!

Entretanto crianças gentis e educadas recebem atenção mais qualificada dos adultos. Recebem mais elogios e são mais incentivadas a fazer algo, pois os adultos gostam dessas crianças mais que as “pestinhas”. Sem exagerar, é claro, pois crianças doces demais são chatas.

Mas como nossos filhos podem se tornar mais gentis? Como fazer para que aprendam a deixar os mais idosos entrar antes no elevador, passarem à frente nas filas, ou simplesmente dizer para o amigo que veio brincar em sua casa: “pode se servir!” e esperar pacientemente sua vez? Isso é fruto de aprendizado. E nada melhor que ensinar por meio do exemplo. Seja mais gentil com as pessoas, seja educado no trânsito dando a vez para quem quer entrar em sua faixa, cumprimente as pessoas, ou seja, seja gentil. Seja educado. E, obviamente, vá explicando a seu filho as razões que lhe fazem agir assim. Seu filho aprenderá das duas formas: seus ensinamentos e seus exemplos!

Obrigado por ter lido até aqui! Rsrs

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Uma escada para o céu

EM: 18 de dezembro de 2016

Uma escada para o céu

Quando eu tinha uns dez anos de idade, eu passava a maior parte das minhas férias escolares na casa da minha avó. Era um jeito de a minha mãe ter sossego e não explodir tendo que trabalhar como cabeleireira e ainda cuidar de cinco filhos. Todo ano era a mesma coisa:

– Marcos, a vovó Rosa já está te esperando!

E eu ia. Sempre achava chato ir, pois não tinha com quem brincar e a vovó só queria um neto por perto, pois dois dariam muito trabalho. Mas quando eu chegava, tinha uma casa, uma vovó e tempo ocioso só para mim.

Como não tinha outra coisa a fazer, eu lia. Naquela antiga casa de madeira havia uma estante “mágica” com dezenas de livros infantis. Irmãos Grimm, Christian Andersen, contos fantásticos, fábulas, duendes, monstros, dragões… A fantasia corria solta. Creio que li aqueles livros umas três ou quatro vezes e minha imaginação nunca mais foi a mesma. Quando eu ia dormir, ficava um tempão criando outras histórias, com finais que eu fantasiava. Numa dessas noites decidi que iria construir uma escada para o céu. (Talvez João e o pé de feijão tivessem me impactado demais). Seria de bambu. Compraria uma fazenda e plantaria todo o bambu necessário para emendar um no outro por quilômetros e quilômetros. Até fiz uns protótipos no dia seguinte com palitos de sorvete.

Então, depois que a escada estivesse pronta, eu subiria e veria como é que minha tia e meu outro avô, já falecidos, estariam vivendo. Iria descobrir como funciona tudo lá no paraíso. Falaria com Deus e pediria algumas coisas legais, como um estilingue mais forte ou um arco e flecha que funcionasse, pois os que eu fazia nunca davam certo. E, com certeza, pediria para o Criador que me desse superpoderes para que eu jamais morresse se fosse lutar contra um dragão.

Era exatamente isso. Eu tinha que fazer uma escada para chegar ao céu.

Já se passaram mais de 40 anos desde que decidi construir a escada. Não sei como é o paraíso e espero demorar muito tempo ainda para conhecê-lo. Não comprei a fazenda. Não plantei bambus. E, graças a Deus, não encontrei o dragão.

Fiz muitas coisas e aprendi outras. Muitas outras. Aprendi que aproximar-se do céu é fazer o bem para outras pessoas sem esperar nada em troca. Isso nos torna melhores, mais dignos e mais humanos. Aprendi a não acusar, julgar ou humilhar ninguém.

São aprendizados que começaram lá atrás no meio das páginas de contos, fábulas e estórias fantásticas. Livros que nossos filhos precisam ler. Fantasias que precisam construir. Valores que, uma vez aprendidos, farão deles, pessoas melhores. E, por último, aprendi que são esses valores que constroem uma escada para o céu.

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