Lembranças de casa

EM: 6 de novembro de 2016

Foto: Mariana Barcellos

Foto: Mariana Barcellos

Quando penso na minha infância, lembro-me de alguns momentos com muita clareza: minha mãe cantando enquanto fazia bolinhos de chuva; seus gritos pela janela: “O café está na mesa!”; “Crianças, venham pra dentro, já está ficando escuro!”; “Já chamei mil vezes!”; “Alguém vai chamar o pai”… Parece que foi ontem. Lembro-me dos travesseiros no beiral da janela para pegar sol, do meu pai correndo para o hospital comigo no colo porque furei o braço com um gancho numa das minhas bagunças pela casa. Lembro que agradecíamos a Deus pela comida no prato não importando o quão simples era, do cheiro da cera sendo passada no piso de madeira e depois a gente empurrando o escovão para lustrar, do maravilhoso cheiro de pão recém-saído do forno. Recordo com muita alegria dos meus irmãos e eu brincando o tempo todo com brinquedos que a gente mesmo inventava. Lembranças que ficarão para sempre.

Claro que houve tristezas, situações difíceis, choros, gritos e brigas, mas não penso nisso quando me lembro de casa, porque os bons e agradáveis momentos foram muito mais marcantes. Quando a saudade bate, até o cheiro do pão caseiro sinto de novo. Cheiro de tagarelas à mesa.

Do que seus filhos lembrarão? Que marcas vocês têm deixado em suas vidas? Quer umas dicas? Aí vão:

Faça um bolo, mesmo que de caixinha, envolvendo seus filhos na obra. E nesses momentos de interação, sorria, brinque, conte piadas, conte coisas de sua infância…

Conte histórias para dormir.

Pare alguns minutos todos os dias para fazer algo com seu filho sem celular por perto, internet, TV ou qualquer outra distração, fique só com ele.

Ouça suas histórias, inventem outras.

Brinquem de esconde-esconde e criem novas regras para as brincadeiras.

Façam uma pipa e saiam correndo desesperadamente tentando levantá-la.

Criem o dia “sem regras” em que todos podem dormir até acordar, ficar de pijama o dia todo, comer besteiras, comer fora de hora, esparramar os brinquedos na sala.

Façam um campeonato de aviõezinhos de papel… São tantas coisas! Aposto que já surgiram mil novas ideias enquanto lia estas aqui. Então, mãos à obra!

No futuro seus filhos terão saudades da infância porque se lembram do quanto era bom ser amado e amar. Marcas eternas. Cheiro de casa.

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Mãe, pense em você!

EM: 30 de outubro de 2016

Mãe, pense em você!

 

Durante uma palestra, uma mulher de aproximadamente 35 anos fez a seguinte pergunta: “Professor, todo sábado é a mesma coisa, meu marido sai com os amigos para jogar bola e só volta às sete, cansado, suado e não quer mais nada. O que eu tenho que fazer para ele parar com essa mania?”. Respondi: “Toda sexta à noite, ou outro dia, você sai com as amigas, bate papo, ri muito, fazem passeios diferentes cada vez e volta de noitão toda feliz e realizada, sentindo que a vida vale a pena.” Todos riram e ela ficou pensativa. Claro, depois expliquei.

Um dos fatores da saúde mental é a convivência com amigos. Jogar conversa fora, rir, chorar, brincar, enfim, compartilhar a vida. É tão saudável que é uma das principais recomendações dos terapeutas aos depressivos. A vida não pode ser apenas trabalhar e cuidar dos filhos. Tem que ter espaço para o lazer, para o ócio, para tudo aquilo que te faz sentir viva, feliz, realizada.

Ser mãe, apesar das infinitas mensagens de completude, realização, amor, ai que lindo, é também cansativo. Muitas vezes, cansativo demais. Brincar com o filho, andar atrás dele o dia todo para que não se quebre, não quebre nada, não caia, não morra eletrocutado, não… não… não… pode ser extenuante. Além dos nãos, há os “eu tenho que” brincar com ele, contar histórias, ouvir, cantar, esconder-se, procurar, juntar o que caiu, limpar, arrumar, organizar, lavar… meudeusdocéu… quanta coisa. Parece que a vida gira somente em torno do filho, e o pior de tudo é que há muita gente bem intencionada, mas que não manja nada de psicologia, que diz: “É o amor mais completo”, “É a realização da vida”, “Não há amor maior”, “É a plenitude de uma mulher” e tantas outras do mesmo tom. Sim, há muita verdade em tudo isso, mas você é uma pessoa completa e não apenas “mãe”, apesar do que isso possa significar. Você é uma mulher. Amiga de um tanto de gente. Uma profissional, funcionária, chefe ou autônoma. É parente, prima, tia, filha, neta talvez. É esposa, amante (do marido, claro), companheira, cúmplice de alguém que não quer competir com seu filho, mas precisa de você tanto quanto você precisa dessa pessoa.

Então, para resumir, incentive seu marido a jogar bola, a ser feliz e realizado com seus amigos, não importando o quanto sua ou cansa. E, da mesma forma, invista em você. Duas pessoas felizes, realizadas, de bem com a vida certamente serão pais bem melhores e com certeza pessoas muito mais completas. Só quem se ama tem matéria-prima para amar.

Ensine seu filho (ou filha, ou filhos, ou enteados) que você é uma pessoa normal, que cansa e que precisa de tempo a sós, tempo só para você, pois assim sua saúde mental e física lhe darão condições para estar completa. Filhos que respeitam a integridade de seus pais saberão respeitar outras pessoas. É a vida.

Pense em você.

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O gato sem rabo

EM: 23 de outubro de 2016

O Gato sem rabo

O Gato sem rabo

Todos os gatos da escola caçoavam do Toby, o gato sem rabo. Gritavam “lá vem o gato sem rabo, o gato sem rabo…”. Ninguém era seu amigo, pois ficavam com vergonha de ter por perto um gato com deficiência. Ele chorava escondido sentindo-se sozinho, abandonado e humilhado pelos colegas. Começou a pensar que a vida não valia a pena ser vivida.

Quando veio a olimpíada nacional das escolas, a professora de Educação Física, uma gata, disse que todos deveriam participar de alguma modalidade e podiam escolher. Formaram equipes de todos os jogos possíveis: futebol, vôlei, handebol, menos natação, pois gatos não gostam de água. Toby entrou na equipe de salto em altura.

Quase ao final das competições, a escola ainda não vencera nenhuma modalidade e a equipe de salto em altura era a última esperança. Seria uma vergonha perder em tudo, não levar nenhuma medalha para casa.

Cada vez que a vara subia mais alto, algum gato esbarrava nela e era eliminado. Toby continuava pulando. Até que só sobraram três gatos: Tóim, de Manaus, que sempre ganhava, Zupt, de Florianópolis, e Toby, de Curitiba.

Tóim pulou e seu rabo enroscou na barra, derrubando-a. Foi eliminado.

Zupt pulou e seu rabo tocou na barra, fazendo-a cair.

Toby pulou e, como não tinha rabo, nada tocou na vara. Venceu!

Toda a escola gritava de alegria: “Toby é nosso herói, Toby é nosso herói”.

E nunca mais os gatos riram de Toby. Daquele dia em diante, aprenderam que todos têm algo especial e devem ser respeitados sempre, pois um gato continua sendo um gato mesmo sem o rabo. É diferente, mas é um gato! Fim.

Contei essa história ao meu filho quando ele tinha seis anos de idade. Ele ficara muito impressionado com a notícia de que uma tia teve que tirar um seio.

Ao final ele disse: “Hummm, a tia continua sendo tia, né pai?”. Acho que ele entendeu. Ainda bem, pois seria difícil explicar para uma criança tão pequena o que faz uma menina ser menina ou uma mulher ser mulher. Eu teria dificuldades em fazê-lo compreender que a essência da feminilidade vem do jeito de ser, de falar, de comportar-se, não da perfeição do corpo, mas da delicadeza do coração.

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Incentive seu filho a ler

EM: 16 de outubro de 2016

Incentive seu filho a ler

Sonho de todo pai: “Filho, pare de ler e vá brincar um pouco!”. Será que isso é possível? Vou dar algumas dicas para ajudar no incentivo à leitura.

A primeira delas é: ler não é castigo, é prazer. Infelizmente nós pais caímos facilmente no erro de transmitir mensagens ruins sobre leitura. Frases como “vai ficar de castigo lendo lá no quarto” ou frases como “você precisa ler mais”, “ler é importante” associam leitura com peso, com sacrifício. Essa ligação acompanhada de uma postura emocional desfavorável dos pais amplia a percepção da criança de que leitura é desagradável.

Em segundo lugar, deve-se associar o ato de ler com coisas prazerosas. “Filho, li um negócio tão legal hoje….”, “o que vocês leram hoje na escola?”, “querida, vou te contar uma curiosidade impressionante que descobri hoje, lendo aquela revista.” Cada vez que os pais compartilham entre si alguns elementos engraçados, curiosos ou emocionantes, estão enviando aos seus filhos uma mensagem positiva a respeito da leitura.

Em terceiro lugar, leia! Se o seu filho nunca vê o pai ou a mãe lendo, dificilmente o incentivo dará resultado, pois ele pensa: “se fosse tão legal como você diz, eu o veria lendo mais vezes.”

Em quarto lugar, use os exemplos ruins para o bem. “Pai, o Lula não tem hábitos de leitura e virou presidente”. Se o seu filho diz isso, não defenda a leitura dizendo que esse exemplo não serve. Serve, mas pode ser ampliado. “É verdade meu filho, mas imagine se ele gostasse de ler. Seus discursos seriam ainda melhores e suas decisões poderiam ter sido melhor embasadas”. Ler potencializa as ações de um indivíduo.

Em quinto lugar, compre livros e dê de presente a seus filhos. Livros que eles queiram e não somente aqueles obrigatórios determinados pela escola. Não se preocupe se você não gosta da história ou da capa. Quem precisa gostar não é você, é seu filho.

Em sexto lugar, ajude a escola a não errar com o incentivo. Uma escola que coloca alunos de castigo na biblioteca, indica formalmente que a leitura é penitência, é medida sócio-educativa, é algo para pagar os pecados. Biblioteca é lugar de descobertas, de alegria, de prazer. Não de tristeza, angústia ou medo.

Por último, incentive seu filho a escrever. Elogie seus textos, a criatividade de suas histórias, a inteligência demonstrada na escrita. Incentive a escrita de um diário. Peça-lhe que mande mensagens pelos aplicativos de celular, mas completos, contando detalhes e as opiniões dele sobre os assuntos.

Espero que essas dicas sejam úteis e ajudem seu filho a gostar da leitura. Uma das características dos profissionais bem sucedidos é justamente esta: eles gostam de ler.

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Filho, espere!

EM: 9 de outubro de 2016

Filho espere

 

Quando minha mãe estava ao telefone, eu ficava ali do lado, esperando, até que ela terminasse.

– Que foi, Marcos? – Falava com doçura e total atenção para mim. Eu sabia esperar. E não havia opção. Tinha que esperar, pois “ai de mim” se eu a interrompesse! Sabe o que isso fez comigo? Aprendi a esperar, aprendi que eu não perco nada, não sofro, não dói e que vou receber a atenção logo depois.

Veja outra situação, bem atual:

– Mãaae! Ô mãe, manhêeeee, mãe, mãe, ooooooo mããããeeee, mãe, mãe, mãe, mãe!

E a mãe, meio sem jeito diz:

– Um momentinho, por favor, tenho que atender meu filho. Que foi meu bem?

– Eu quero água.

– Você já consegue pegar sozinho, mas tá bom, a mamãe pega pra você.

A criança venceu. A mãe volta ao telefone:

– Oi? Desculpa… Era meu filhinho precisando de mim. Essas crianças de hoje não dão sossego, né?

Dizer “espere um pouco meu filho” é presentear a criança com uma espécie de amor que a ensina a brincar sozinha enquanto você não pode responder. Ela aprende a esperar a hora certa para comer, para divertir-se, para brincar com o videogame ou para qualquer outra coisa. Amor que ensina paciência. Criança que sabe esperar aprende a brincar sozinha e a fantasiar, pensar, criar, construir mundos imaginários, enfim, desenvolve a própria inteligência.

Logo a família poderá frequentar restaurantes, cinemas, casas de amigos ou parentes sem passar vergonha por causa de shows de birra ou falta de educação. A mãe terá tempo para ler, ver TV ou fazer algo simplesmente para relaxar sem ser interrompida mil vezes. Todos ganham.

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Não exclua o cara!

EM: 2 de outubro de 2016

Não exclua o cara

 

Hoje recebi uma mensagem no facebook de um velho amigo. Perdemos telefones, endereços e e-mails. Nenhum contato durante anos. Eu pensava: “Onde tá o cara? O que deve estar fazendo? Será que casou? Em que emprego deve estar? Que saudades do jeito dele me falar o que pensa!” Mas não fazia ideia das respostas. Até hoje. Pediu para ser adicionado como meu amigo na rede social.

Que rede é essa? Como assim? Ele já é meu amigo, nunca deixou de ser e me perguntam se o aceito como amigo? Coisas das tecnologias. Agora já posso esperar pauladas, críticas, gozações, opiniões contrárias e aquela série in­finita de sugestões à minha forma de ser e de agir daquele cara que eu sempre mandava para os infernos. Amigos de verdade são assim. Falam o que pensam, magoam, ajudam, incentivam, entristecem, arrumam, perdoam… enfi­m, relacionam-se verdadeiramente. Estou feliz.

Há muitos jovens hoje que não têm amigos desse jeito. Não os desenvolveram, não os cultivaram com o passar dos anos. Conversam por meios virtuais achando que é a mesma coisa que o velho olho-no-olho. Mas não é. Tenho visto muitos adolescentes que à frente da primeira opinião contrária, bloqueiam o ousado. Se forem criticados, excluem o peste da rede de amigos virtuais. Não aprendem a debater, a argumentar, contra-argumentar. Só querem elogios, conversas superfi­ciais, e papinhos sem conteúdo.

Quando o chefe dá uma bronca, acham que a empresa exige demais e reclamam. Se a parceira ou parceiro quiser discutir algum conflito, o fi­m da briga só acontecerá se o outro pedir desculpas. É a vida na superfície. Fragilidades emocionais disfarçadas de popularidade em rede.

Pre­firo não excluir ninguém, não bloquear nem me deixar intimidar por opiniões contrárias. São essas pessoas que me fazem lembrar que sou humano, falível e que todos retornaremos ao pó. Só excluo os que me desrespeitam e insistem nas difamações e calúnias, pois esses não merecem nem meu tempo.

Ensine a seu filho que amigos de verdade devem ser cultivados com persistência. Podem nos ferir tanto quanto nos elevar. Podem magoar tanto quanto nos empurrar para mais um sucesso profi­ssional. E podem ­ficar longe que não serão esquecidos. Com eles a gente cresce.

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Amor que não se mede

EM: 25 de setembro de 2016

Amor que não se mede

 

 

Eu amo você. Essa frase tá tão “batida” que a gente até desconfia. Depois de apenas um ou dois encontros alguém jura amor eterno. É quase uma banalização do amor. Até parecem aqueles jargões comerciais de marketing de quinta categoria que não dizem nada: “superpromoção”; “com exclusivo simply-maxy-energy3”; e o incrivelmente falso “produto personalizado”!

O verdadeiro amor não é apenas um sentimento gostoso, é ação. Quem ama age. Amor sem ação é promessa, e isso qualquer político sabe fazer. Amor diz “não”, “espere”, “pare de reclamar”. Amor de verdade arrasta nossos pés no meio da madrugada só para cantar suavemente para o bebê que insiste em choramingar em vez de dormir. É o que nos faz adiar o curso superior para poder cuidar melhor da criaturinha e que depois nos faz voltar a estudar para garantir-lhe um futuro ainda melhor.  Amor verdadeiro manda lavar a louça, arrumar a cama, desligar o computador, dizer “obrigado”. Quando a gente ama de verdade, trabalha mais horas, viaja mais vezes a trabalho, chega em casa mais cansado, exausto. Tudo para que nossos filhos recebam benefícios que não tivemos, cursem o inglês que não aprendemos, tenham os aparelhos que nunca pudemos manusear. E tudo isso sem precisar dizer “fiz isso por você”.

Mas nem sempre nossos filhos percebem o que fazemos. Uma boa conversa falando sobre nossos esforços, dedicação, trabalho e como eles estão sendo privilegiados, precisa acontecer para que entendam a dimensão prática do amor que damos. Isso não é arrogância, tampouco cobrança, mas sim um compartilhamento. Muitos filhos se surpreendem quando os pais lhes contam sobre as escolhas que tiveram que fazer para que nada faltasse na mesa, na casa, na mochila e na vida. É o amor sólido. Amor que transcende o sentimento e se materializa. E as palavras, agora corporificadas, não mais serão vazias, superficiais ou massificadas, serão como um selo que autentica a verdade: “amo você meu filho”!

 

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Aprenda a não fazer nada

EM: 18 de setembro de 2016

Aprenda a não fazer nada

 

 

A escola não ensina para o ócio, já disse Domenico De Masi, um grande sociólogo italiano, criticando os currículos educacionais. E o que fazemos? Corremos o dia todo, não paramos para nada, respondemos e-mails, consultamos nossas agendas, verificamos as postagens em redes sociais ou recados nos grupos no celular. Muitos ainda levam o celular para a cama e consultam as inúmeras postagens supérfluas que em nada contribuem para o crescimento pessoal. Parece que a vida está cheia de pequenos mundos virtuais que nos distanciam da dura realidade do dia a dia e isso realmente, pasmem, não está incomodando.

O problema é que estamos ficando sem tempo para bater papo olho no olho, deitar no sofá sem fazer absolutamente nada, brincar com uma criança por mais de cinco minutos ou simplesmente descansar. É como se tudo isso fosse “tempo perdido”, mas não é. Nosso cérebro precisa de descanso, de não fazer nada e não pensar em nada. Precisa parar para recarregar as energias e se deliciar com o silêncio. Precisa meditar.

Entretanto, nossos pais nos ensinaram que “cabeça vazia é oficina do diabo” e então, pressionados pela culpa, trabalhamos, trabalhamos e trabalhamos. Que vida pesada é essa. Quanto desperdício de espetáculos não assistidos como os maravilhosos raios de sol do fim da tarde, das doces melodias dos passarinhos (sim, eles ainda existem) e das contagiantes risadas das crianças brincando em um parquinho qualquer. Precisamos mudar e, para não permitir que nossos filhos caiam no mesmo mar dos corre-corres, temos que ensiná-los que a vida não é só escola, nem só videogame e muito menos a que aparece nas redes sociais.

Uma boa virada em toda essa pressão é começar devagar, para não desistir pelo caminho. Que tal começar levando seu filho para empinar uma pipa? Se não conseguir fazer uma, pode até comprar uma industrializada, mas brincar com ela no céu dá para ficar horas. Andar pelas ruas próximas de sua casa no fim da tarde e conversar sobre pequenas descobertas como o tamanho do cachorro que late ao ver vocês passarem.

Se puder, que tal pegar o carro sábado de manhã e ir para a praia andar na areia e voltar de noitinha? Provavelmente leva-se menos tempo na viagem que no trânsito nas grandes cidades. Enfim, mostre ao seu filho que passar tempo juntos é muito mais gostoso que vencer algo ou alguém num videogame virtual, de realidade aumentada ou nos novos e impressionantes aplicativos de celular que misturam a realidade com o virtual e monstros são capturados.

Melhor mesmo é capturar a vida. E a vida é muito mais que a tecnologia pode nos oferecer.

Bem, já escrevi. Agora vou descansar. Abraço.

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Gente feia!

EM: 11 de setembro de 2016

Gente feia

 

Como tem gente feia nesse mundo! Sério, é de assustar. Ontem mesmo, ao segurar a porta do elevador para uma garota, não ouvi nenhum “muito obrigada” nem ao menos um simples sorriso. Feia! No ônibus, dia desses, um adolescente, além de não se levantar para que uma idosa pudesse sentar, falou: “Sua velha folgada, velhice não é doença. Senta no chão”. A senhora, acostumada com bons modos e digna o suficiente para não enviar o feioso para a mãe que lhe trouxera à luz, disse somente um: “Malcriado!”.

Algumas revistas têm noticiado casos de “celebridades” sendo grosseiras com funcionários de companhias aéreas, garçons e tantos outros trabalhadores simples, porém não menos humanos (ouso dizer que não raro, são estes muito mais!). Celebridades estilo “capas de revista”, mas tão prepotentes, arrogantes, superficiais e egocêntricas que a beleza simplesmente cai por terra. Belezas efêmeras ensimesmadas por egos inflados e corações vazios. É de uma feiura que dá dó.

Certa vez vi uma senhora, sobrevivente de um acidente de carro em que perdera uma filha, ajudando outras pessoas a buscar dentro de si forças suficientes para seguir em frente. Ela tinha o rosto queimado, sua beleza física tinha ido embora, mas como era linda! Ela tem uma beleza especial, que não gera inveja, mas admiração. Não dá ibope, mas faz a diferença na sociedade. Não anda em passarelas, mas nos ensina o que é ser realmente uma pessoa bonita. O caso da atleta que parou para ajudar sua concorrente durante uma prova na Rio 2016 também é um verdadeiro exemplo de beleza.

Temos que ensinar aos nossos filhos que ser bonito ou bonita é respeitar as diferenças, cuidar do ser humano, ser solidário, ajudar as pessoas em suas necessidades, levantar-se para que um idoso possa se sentar, abrir portas, e tantas outras manifestações de carinho e respeito.

Essa é a beleza que quero cultivar em meus filhos.

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Meu filho precisa de mim!

EM: 4 de setembro de 2016

Caucasian boy hugging mother on beach

 

Quando eu era coordenador de uma pré-escola aqui em Curitiba, vi uma cena muito interessante. A mãe trazia seu filho de cinco anos para seu primeiro dia de aula, quando, ao chegar, largou a mão do menino e disse: “Tchau meu amor, a professora já tá vendo você. Beijo, te amo”. O menino, disse: “Tchau, mãe”, virou as costas e foi caminhando em direção à professora. A mãe, insatisfeita, continuou: “Não se preocupe, se você tiver medo ou sentir saudades, é só falar pra professora que ela me chama tá?”. Ele, já um pouco apreensivo, respondeu: “Tá”.

A mãe, não suportando tal desprendimento, continuou com a voz emocionada: “Fique tranquilo, amor. Não se preocupe, nada vai acontecer, qualquer coisa eu vou estar no carro e a professora me chama, tá bom?”. A dor da mãe, até então despercebida pela criança, dessa vez foi muito evidente e o menino, possivelmente assustado com tanta cautela, começou a chorar. Afinal, as mães sempre sabem de coisas que a gente nem imagina…

Era o que ela mais precisava. Correu em direção ao fofuxo, abaixou-se e o abraçou como quem diz: “Meu Deus do céu, como é delicioso sentir que sou importante para meu fi­lho”. E repetiu docemente para o agora choroso: “Calma, doçura, mamãe tá aqui”.

A professora, assistindo a tudo, introduziu um pouco de realidade na cena: “Está tudo bem, mamãe, ­fique tranquila, ele vai brincar, se divertir, aprender e ter um dia maravilhoso com os amiguinhos e comigo. Vamos ao parquinho, veremos os bichinhos no bosque… né, lindão?”. O menino passou a manga da blusa na cara e seguiu com a professora. A mãe, apressada, caminhou para o carro chorando, mas com um olhar de satisfação que não dá para explicar com palavras.

Dói ver nossos ­filhos se tornarem cada vez mais independentes. Dói quando já não precisam mais de nós, quando caminham sem ajuda. Mas é justamente essa dor que nos ensina que o crescimento e a maturidade de nossos ­filhos é resultado da autonomia. Sem esse gradual desligamento, teríamos sombras infelizes e incompletas de nós mesmos que permaneceriam à nossa volta, com medo de viver a própria vida. Assim, o “tchau, mãe” pode ser ouvido com dor, mas ativar o mais profundo sentimento de realização de que toda nossa dedicação está dando bons frutos.

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