Não exclua o cara!

EM: 2 de outubro de 2016

Não exclua o cara

 

Hoje recebi uma mensagem no facebook de um velho amigo. Perdemos telefones, endereços e e-mails. Nenhum contato durante anos. Eu pensava: “Onde tá o cara? O que deve estar fazendo? Será que casou? Em que emprego deve estar? Que saudades do jeito dele me falar o que pensa!” Mas não fazia ideia das respostas. Até hoje. Pediu para ser adicionado como meu amigo na rede social.

Que rede é essa? Como assim? Ele já é meu amigo, nunca deixou de ser e me perguntam se o aceito como amigo? Coisas das tecnologias. Agora já posso esperar pauladas, críticas, gozações, opiniões contrárias e aquela série in­finita de sugestões à minha forma de ser e de agir daquele cara que eu sempre mandava para os infernos. Amigos de verdade são assim. Falam o que pensam, magoam, ajudam, incentivam, entristecem, arrumam, perdoam… enfi­m, relacionam-se verdadeiramente. Estou feliz.

Há muitos jovens hoje que não têm amigos desse jeito. Não os desenvolveram, não os cultivaram com o passar dos anos. Conversam por meios virtuais achando que é a mesma coisa que o velho olho-no-olho. Mas não é. Tenho visto muitos adolescentes que à frente da primeira opinião contrária, bloqueiam o ousado. Se forem criticados, excluem o peste da rede de amigos virtuais. Não aprendem a debater, a argumentar, contra-argumentar. Só querem elogios, conversas superfi­ciais, e papinhos sem conteúdo.

Quando o chefe dá uma bronca, acham que a empresa exige demais e reclamam. Se a parceira ou parceiro quiser discutir algum conflito, o fi­m da briga só acontecerá se o outro pedir desculpas. É a vida na superfície. Fragilidades emocionais disfarçadas de popularidade em rede.

Pre­firo não excluir ninguém, não bloquear nem me deixar intimidar por opiniões contrárias. São essas pessoas que me fazem lembrar que sou humano, falível e que todos retornaremos ao pó. Só excluo os que me desrespeitam e insistem nas difamações e calúnias, pois esses não merecem nem meu tempo.

Ensine a seu filho que amigos de verdade devem ser cultivados com persistência. Podem nos ferir tanto quanto nos elevar. Podem magoar tanto quanto nos empurrar para mais um sucesso profi­ssional. E podem ­ficar longe que não serão esquecidos. Com eles a gente cresce.

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Amor que não se mede

EM: 25 de setembro de 2016

Amor que não se mede

 

 

Eu amo você. Essa frase tá tão “batida” que a gente até desconfia. Depois de apenas um ou dois encontros alguém jura amor eterno. É quase uma banalização do amor. Até parecem aqueles jargões comerciais de marketing de quinta categoria que não dizem nada: “superpromoção”; “com exclusivo simply-maxy-energy3”; e o incrivelmente falso “produto personalizado”!

O verdadeiro amor não é apenas um sentimento gostoso, é ação. Quem ama age. Amor sem ação é promessa, e isso qualquer político sabe fazer. Amor diz “não”, “espere”, “pare de reclamar”. Amor de verdade arrasta nossos pés no meio da madrugada só para cantar suavemente para o bebê que insiste em choramingar em vez de dormir. É o que nos faz adiar o curso superior para poder cuidar melhor da criaturinha e que depois nos faz voltar a estudar para garantir-lhe um futuro ainda melhor.  Amor verdadeiro manda lavar a louça, arrumar a cama, desligar o computador, dizer “obrigado”. Quando a gente ama de verdade, trabalha mais horas, viaja mais vezes a trabalho, chega em casa mais cansado, exausto. Tudo para que nossos filhos recebam benefícios que não tivemos, cursem o inglês que não aprendemos, tenham os aparelhos que nunca pudemos manusear. E tudo isso sem precisar dizer “fiz isso por você”.

Mas nem sempre nossos filhos percebem o que fazemos. Uma boa conversa falando sobre nossos esforços, dedicação, trabalho e como eles estão sendo privilegiados, precisa acontecer para que entendam a dimensão prática do amor que damos. Isso não é arrogância, tampouco cobrança, mas sim um compartilhamento. Muitos filhos se surpreendem quando os pais lhes contam sobre as escolhas que tiveram que fazer para que nada faltasse na mesa, na casa, na mochila e na vida. É o amor sólido. Amor que transcende o sentimento e se materializa. E as palavras, agora corporificadas, não mais serão vazias, superficiais ou massificadas, serão como um selo que autentica a verdade: “amo você meu filho”!

 

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Aprenda a não fazer nada

EM: 18 de setembro de 2016

Aprenda a não fazer nada

 

 

A escola não ensina para o ócio, já disse Domenico De Masi, um grande sociólogo italiano, criticando os currículos educacionais. E o que fazemos? Corremos o dia todo, não paramos para nada, respondemos e-mails, consultamos nossas agendas, verificamos as postagens em redes sociais ou recados nos grupos no celular. Muitos ainda levam o celular para a cama e consultam as inúmeras postagens supérfluas que em nada contribuem para o crescimento pessoal. Parece que a vida está cheia de pequenos mundos virtuais que nos distanciam da dura realidade do dia a dia e isso realmente, pasmem, não está incomodando.

O problema é que estamos ficando sem tempo para bater papo olho no olho, deitar no sofá sem fazer absolutamente nada, brincar com uma criança por mais de cinco minutos ou simplesmente descansar. É como se tudo isso fosse “tempo perdido”, mas não é. Nosso cérebro precisa de descanso, de não fazer nada e não pensar em nada. Precisa parar para recarregar as energias e se deliciar com o silêncio. Precisa meditar.

Entretanto, nossos pais nos ensinaram que “cabeça vazia é oficina do diabo” e então, pressionados pela culpa, trabalhamos, trabalhamos e trabalhamos. Que vida pesada é essa. Quanto desperdício de espetáculos não assistidos como os maravilhosos raios de sol do fim da tarde, das doces melodias dos passarinhos (sim, eles ainda existem) e das contagiantes risadas das crianças brincando em um parquinho qualquer. Precisamos mudar e, para não permitir que nossos filhos caiam no mesmo mar dos corre-corres, temos que ensiná-los que a vida não é só escola, nem só videogame e muito menos a que aparece nas redes sociais.

Uma boa virada em toda essa pressão é começar devagar, para não desistir pelo caminho. Que tal começar levando seu filho para empinar uma pipa? Se não conseguir fazer uma, pode até comprar uma industrializada, mas brincar com ela no céu dá para ficar horas. Andar pelas ruas próximas de sua casa no fim da tarde e conversar sobre pequenas descobertas como o tamanho do cachorro que late ao ver vocês passarem.

Se puder, que tal pegar o carro sábado de manhã e ir para a praia andar na areia e voltar de noitinha? Provavelmente leva-se menos tempo na viagem que no trânsito nas grandes cidades. Enfim, mostre ao seu filho que passar tempo juntos é muito mais gostoso que vencer algo ou alguém num videogame virtual, de realidade aumentada ou nos novos e impressionantes aplicativos de celular que misturam a realidade com o virtual e monstros são capturados.

Melhor mesmo é capturar a vida. E a vida é muito mais que a tecnologia pode nos oferecer.

Bem, já escrevi. Agora vou descansar. Abraço.

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Gente feia!

EM: 11 de setembro de 2016

Gente feia

 

Como tem gente feia nesse mundo! Sério, é de assustar. Ontem mesmo, ao segurar a porta do elevador para uma garota, não ouvi nenhum “muito obrigada” nem ao menos um simples sorriso. Feia! No ônibus, dia desses, um adolescente, além de não se levantar para que uma idosa pudesse sentar, falou: “Sua velha folgada, velhice não é doença. Senta no chão”. A senhora, acostumada com bons modos e digna o suficiente para não enviar o feioso para a mãe que lhe trouxera à luz, disse somente um: “Malcriado!”.

Algumas revistas têm noticiado casos de “celebridades” sendo grosseiras com funcionários de companhias aéreas, garçons e tantos outros trabalhadores simples, porém não menos humanos (ouso dizer que não raro, são estes muito mais!). Celebridades estilo “capas de revista”, mas tão prepotentes, arrogantes, superficiais e egocêntricas que a beleza simplesmente cai por terra. Belezas efêmeras ensimesmadas por egos inflados e corações vazios. É de uma feiura que dá dó.

Certa vez vi uma senhora, sobrevivente de um acidente de carro em que perdera uma filha, ajudando outras pessoas a buscar dentro de si forças suficientes para seguir em frente. Ela tinha o rosto queimado, sua beleza física tinha ido embora, mas como era linda! Ela tem uma beleza especial, que não gera inveja, mas admiração. Não dá ibope, mas faz a diferença na sociedade. Não anda em passarelas, mas nos ensina o que é ser realmente uma pessoa bonita. O caso da atleta que parou para ajudar sua concorrente durante uma prova na Rio 2016 também é um verdadeiro exemplo de beleza.

Temos que ensinar aos nossos filhos que ser bonito ou bonita é respeitar as diferenças, cuidar do ser humano, ser solidário, ajudar as pessoas em suas necessidades, levantar-se para que um idoso possa se sentar, abrir portas, e tantas outras manifestações de carinho e respeito.

Essa é a beleza que quero cultivar em meus filhos.

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Meu filho precisa de mim!

EM: 4 de setembro de 2016

Caucasian boy hugging mother on beach

 

Quando eu era coordenador de uma pré-escola aqui em Curitiba, vi uma cena muito interessante. A mãe trazia seu filho de cinco anos para seu primeiro dia de aula, quando, ao chegar, largou a mão do menino e disse: “Tchau meu amor, a professora já tá vendo você. Beijo, te amo”. O menino, disse: “Tchau, mãe”, virou as costas e foi caminhando em direção à professora. A mãe, insatisfeita, continuou: “Não se preocupe, se você tiver medo ou sentir saudades, é só falar pra professora que ela me chama tá?”. Ele, já um pouco apreensivo, respondeu: “Tá”.

A mãe, não suportando tal desprendimento, continuou com a voz emocionada: “Fique tranquilo, amor. Não se preocupe, nada vai acontecer, qualquer coisa eu vou estar no carro e a professora me chama, tá bom?”. A dor da mãe, até então despercebida pela criança, dessa vez foi muito evidente e o menino, possivelmente assustado com tanta cautela, começou a chorar. Afinal, as mães sempre sabem de coisas que a gente nem imagina…

Era o que ela mais precisava. Correu em direção ao fofuxo, abaixou-se e o abraçou como quem diz: “Meu Deus do céu, como é delicioso sentir que sou importante para meu fi­lho”. E repetiu docemente para o agora choroso: “Calma, doçura, mamãe tá aqui”.

A professora, assistindo a tudo, introduziu um pouco de realidade na cena: “Está tudo bem, mamãe, ­fique tranquila, ele vai brincar, se divertir, aprender e ter um dia maravilhoso com os amiguinhos e comigo. Vamos ao parquinho, veremos os bichinhos no bosque… né, lindão?”. O menino passou a manga da blusa na cara e seguiu com a professora. A mãe, apressada, caminhou para o carro chorando, mas com um olhar de satisfação que não dá para explicar com palavras.

Dói ver nossos ­filhos se tornarem cada vez mais independentes. Dói quando já não precisam mais de nós, quando caminham sem ajuda. Mas é justamente essa dor que nos ensina que o crescimento e a maturidade de nossos ­filhos é resultado da autonomia. Sem esse gradual desligamento, teríamos sombras infelizes e incompletas de nós mesmos que permaneceriam à nossa volta, com medo de viver a própria vida. Assim, o “tchau, mãe” pode ser ouvido com dor, mas ativar o mais profundo sentimento de realização de que toda nossa dedicação está dando bons frutos.

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Filhos de bom coração

EM: 28 de agosto de 2016

bom coracao viver

Bondade não está na moda. Crianças boazinhas passam a impressão de que estão com medo ou são meio lerdinhas. Por que isso? Porque os contravalores divulgados pela mídia são outros. Vencer sempre. Ser o mais rápido, mais esperto ou mais forte é alvo da molecada. As mensagens divulgadas estão impregnadas dessas ideias, enquanto as que valorizam o “bom coração” nem aparecem.

Minha avó já dizia: “Marcos, vá brincar com aquele menino, ele tem bom coração.” Eu ia. Mesmo sem saber o que realmente isso significava. E as brincadeiras eram muito legais, a gente se divertia muito. Quando eu brincava com alguém que não recebia esse título, logo desistia. Eram brincadeiras de empurrar, bater, sacanear alguém, jogar pedras em cachorros, quebrar vidraças, tocar a campainha e sair correndo. Parecia diversão, mas não era. Ficava aquele gostinho de “eu não devia estar fazendo isso”. Minha consciência pesava. Fazer o mal a alguém ou a algum animal para se divertir não é certo, nem no passado nem hoje. Ninguém precisa da dor do outro para rir. Podemos rir de tantas outras coisas. Podemos rir de nós mesmos e das nossas trapalhadas. Humilhar alguém para aparecer na turma, para ser o “popular” não é o caminho ao qual devemos incentivar nossos filhos.

Como ensinar os valores corretos? Falando, explicando, mostrando o que é humilhação, mostrando a dor do outro e fazendo nossos filhos refletirem a respeito. Esse é o começo. Além disso, podemos incentivar e elogiar todas as vezes que nossos filhos apresentarem algum comportamento solidário, honesto ou de caráter. Isso os fará perceber que o caminho para a maturidade está na construção e não na destruição. Está em agir de forma a aproximar as pessoas em vez de afastar.

Recentemente estive conversando com um empresário em um vôo para São Paulo. Conversávamos sobre contratação e demissão. Como é difícil acertar. Um dos critérios que ele utiliza para demitir é a forma como o funcionário fez amigos ou inimigos dentro da empresa. Tem gente muito chata, meticulosa, legalista, mas é solidário, pensa nos outros. Outros são barulhentos, divertidos, falastrões, mas não ajudam ninguém, são egoístas e autocentrados. Ficam esperando elogios em vez de trabalhar e de levar outros consigo para a vitória. Querem vencer sozinhos. Esses não permanecem na empresa. Os que ficam são aqueles que, não importando a personalidade que tem, são amigos, batalhadores, que elogiam os colegas quando acertam e criticam quando erram, mas o fazem discretamente. Pessoas assim não crescem por acaso, não tem sucesso por sorte. Crescem porque desde a infância aprenderam a valorizar o outro. São pessoas de “bom coração”.

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Elogie do jeito certo

EM: 21 de agosto de 2016

elogie do jeito certo viver

Você já sabe que existe um jeito certo para criticar seu filho, mas você sabia que elogiar errado também pode prejudicá-lo? Isso foi provado por meio de uma experiência científica nos Estados Unidos. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios em relação à capacidade de cada criança.

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.

Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.

As respostas das crianças surpreenderam. A maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. Elas não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes que não foram aprovados no vestibular, enquanto jovens “médios” obtiveram a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.

No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.

Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito  legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas se sentirão inseguras a respeito da própria capacidade e poderão fazer chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos” para receber apoio e incentivo que deveria estar vindo de dentro delas próprias. Quando adultas, poderão se apresentar emocionalmente frágeis. Elogiar corretamente é um dos passos para que nossos filhos se tornem fortes emocionalmente e, no futuro, serão fortes e saudáveis como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

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Filho, venha lavar a louça!

EM: 14 de agosto de 2016

filho ajuda em casa viver

Quando meu filho era pequeno, perto de 4 anos de idade, eu o chamava para lavar a louça:

– Filho, venha lavar a louça comigo.

É claro que eu já havia lavado quase tudo, incluindo cristais, facas e outros objetos perigosos. Deixava para ele apenas algumas tampas de potinhos plásticos. Cheio de vontade de ajudar, ele lavava as tampas, enxaguava e as colocava no escorredor de louça. Em seguida eu o elogiava: “Muito bem filho! Que legal, você já sabe lavar louça. Vamos lá contar para a vovó.” E eu o pegava no colo e levava para ganhar o troféu. A vovó dizia:

Que maravilha de menino! Ele é trabalhador, sabe ajudar, muito bem!

E o menino saía correndo para brincar, feliz por ter ajudado.

Nas próximas vezes a quantidade de tampas e de potes ia aumentando. Sem perceber, a parcela de trabalho da criança aumentava e a minha diminuía.

As associações trabalho-alegria, trabalho-prazer, trabalho-elogio, trabalho-sorriso e trabalho-brincadeira deve ser construída pelos pais. Mais tarde as crianças associam trabalho com coisas boas como realização e felicidade. No entanto, muitos pais constroem uma relação contrária. Relacionam trabalho com mau-humor, com raiva, com broncas ou com coisas ruins. Veja alguns exemplos:

“Filho, primeiro ajudar, depois brincar.” Essa frase, tão comum e inocente, faz a criança associar trabalho com coisas tristes, pois o brincar que dá prazer, vem depois e não durante o trabalho.

“De castigo você vai lavar a louça do almoço por uma semana”. Péssima idéia. Associa trabalho com castigo. Mais tarde esses pais reclamam dizendo que seus filhos não mexem um dedo pra ajudar, só querem o prazer.

“Ajunte logo esses brinquedos do chão. Eu sou sua mãe, não sua empregada” Parece que trabalhar não é um privilégio. Frases desse tipo fazem a criança achar que não há nada bom em fazer atividades práticas em casa.

Portanto cuidado com a forma como você pede ajuda. A mensagem oculta é logo assimilada por seu filho.

Da mesma forma acontece com a lição de casa.

– Filho, tem lição de casa hoje?

– Não, hoje a professora disse que a gente ia ter folga de lição.

– Ah, que bom né? Então vai brincar.

Nesse caso, a professora já enviou um recado ruim “folga” entra em oposição a “trabalho” e dá a impressão de ser uma espécie de prêmio.

Quer que seu filho ame o trabalho e aprenda a se dedicar, ser persistente e valorize o esforço pessoal para conquistar os desafios da vida? Associe trabalho e lição de casa com alegria, prazer, realização, sorrisos, elogios e bom-humor.

Ah, meu filho já adulto, me diz: “pai, me ajuda a lavar a louça?” E passamos bons momentos juntos.

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Nem sexo frágil, nem sexo forte

EM: 7 de agosto de 2016

sexo fragil viver

“A mulher é o sexo forte”, “o mundo é das mulheres”, “as mulheres são mais fortes que nós homens”, “as mulheres são muito melhores que nós”… Quem já não ouviu alguns homens dizendo isso? São os demagogos. Os interessados em que elas “babem” e fiquem a seus pés. São os mesmos que depois de as conquistarem, não telefonam, não curtem ficar a sós, não buscam a intimidade. A mulher não é melhor que o homem. Nem ele é melhor que ela… São diferentes!

A busca pela igualdade é uma grande falácia. Quem quer ser igual? É na diferença que somos especiais, que somos complementares. As faltas de um são os pontos fortes do outro e essa maravilhosa interdependência é que nos faz felizes, inteiros.

Ela está uma “pilha de nervos” por causa da pressão no trabalho e se derrete chorando no colo dele? Não há homem no mundo que não se sinta especial, amado, forte e feliz por oferecer segurança e apoio nessa hora. Ele a ouve, acolhe e compreende seu choro. Ela se sente fortalecida, amada e compreendida nesse momento.

Ele está irritado, agressivo e com vontade de chutar o balde, de pedir demissão porque foi criticado pelo seu chefe? Ao lado da mulher, ele grita enraivecido por causa das injustiças que lhe fizeram. Ela, carinhosa, lhe diz que sua inteligência não está sendo aproveitada e que sua competência não é reconhecida e que vai chegar a hora do sucesso. Ele se acalma. Não há homem no mundo que não se sinta “o cara” por ter uma mulher assim. Não há mulher no mundo que não se sinta importante nessa hora.

Nossas diferenças nos fazem interdependentes, nos fazem completos, realizados e felizes. É mil vezes melhor uma mulher dizendo: “não se preocupe amor, estou com você” do que dizendo: “ô cara, bola pra frente! Mostre sua garra, não deixe que pisem você”. É preferível que ela compartilhe seu choro, abrace seu parceiro e lhe peça apoio do que se sacrifique para “ser igual” dando uma de “poderosa”, enquanto chora escondida numa espécie de solidão silenciosa.

Melhor andar de mãos dadas. Somos diferentes, complementares. E como é maravilhoso podermos ser nós mesmos… nada mais, nada menos.

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CRITIQUE DO JEITO CERTO

EM: 31 de julho de 2016

Critique do jeito certo

Você sabia que uma crítica mal feita pode trazer consequências para o resto da vida de seu filho? Muitos adultos se comportam com insegurança ou recusam novos desafios no trabalho porque não confiam em si mesmos. Esse comportamento pode ser resultado de críticas realizadas pelos seus pais ou cuidadores na infância. E isso afetou a autoestima.

Para compreender melhor como evitar que isso aconteça, precisamos conhecer como a autoestima saudável é construída.

A autoestima saudável é fruto de elogios adequados baseados em fatos reais e motivados pelo afeto, não por táticas manipulativas. Além disso, é preciso que a pessoa tenha sido corrigida e criticada de forma adequada. Entretanto, é fácil errar ao criticar ou elogiar. Crianças, por exemplo, que só recebem elogios e jamais são criticadas não suportam a dor da perda, não têm maturidade para corrigir os próprios erros e se tornam chantagistas emocionais: vivem fazendo birra para ganhar mais atenção, carinho e novos elogios. Quando adultas, a convivência com elas torna-se insuportável.

Se só elogiar não dá certo então como criticar da forma correta? A resposta é simples e direta: criticando assertivamente.

Uma crítica assertiva ataca o problema, jamais a criança. Aponta para o erro, não para a pessoa. É objetiva, nunca subjetiva. Vamos aos exemplos:

Nunca diga: “Você é um relaxado, olhe só que sujeira esse quarto”. Diga: “Que nojo esse quarto, que bagunça, olhe só quanta sujeira. Pode começar a arrumá-lo”.

Jeito errado: “Filho, você é um irresponsável, novamente não deu comida para o cachorro”. Jeito certo: “Filho, você não deu comida para o cachorro de novo!”

Evite: “Seu vagabundo, vai logo fazer a lição de casa e as tarefas que te mandei.” Prefira: “Faça já a lição de casa e as tarefas que te mandei.”

Nos três casos, o ataque à criança por meio de xingamentos (relaxado, irresponsável, vagabundo) foi eliminado e a crítica foi dirigida diretamente ao problema. Esse é o segredo. Agindo dessa forma, a criança pode consertar o erro e até receber elogios por ter feito o que fora solicitado. Se, por outro lado, ela tivesse sido humilhada, mesmo que fizesse suas tarefas ou consertasse seus erros, sua condição de humilhação não mudaria. Ela não conseguiria deixar de ser relaxada, irresponsável ou portadora de qualquer outro adjetivo desqualificador, já que isso não depende de suas atitudes, mas da opinião da outra pessoa.

Além da assertividade, há outra orientação que você deve levar em conta: críticas devem ser feitas em particular, jamais em público. Nada de falar dos erros de seu filho na frente das visitas, da avó ou dos colegas dele. A publicação de críticas promove uma falsa sensação de poder, já que tantas pessoas estão se envolvendo na situação. Isso incentiva a repetição do problema. Uma crítica assertiva e em particular abre espaço para o pedido de desculpas e para a afirmação mútua de afeto.

Critique do jeito certo e seu filho terá muito mais chances de crescer com maturidade emocional e alegria de viver.

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